Cidades
Alagoana sofre preconceito em Madri
Ao retornar de viagem de férias, há pouco dias, a estudante alagoana Marília dos Reis Vieira Guilherme, de 23 anos, trouxe na bagagem muito mais que fotos e boas lembranças da Europa. Em sua segunda viagem pelo Velho Continente, a futura arquiteta ? assim como sua família que ficou no Brasil ? viveu momentos de tensão provocados pelo preconceito das autoridades espanholas. Com destino a Portugal, onde passaria 27 dias, Marília Reis, que portava toda documentação necessária para viagem internacional, foi retida no exato momento em que fazia a conexão de voo no Aeroporto Internacional de Madri, na Espanha. Detida por mais de 48 horas e incomunicável por algumas, a estudante foi deportada para o Brasil sem qualquer justificativa. Impedida de seguir viagem até o destino final das férias ? Lisboa, em Portugal ?, a estudante foi encaminhada pelas autoridades do Serviço de Imigração Espanhola para um abrigo. Antes, segundo relato da funcionária pública Irandir dos Reis Vieira, mãe da jovem, que estava no Brasil, as autoridades espanholas alegaram que faltava entre a documentação o porte de uma carta convite da Polícia de Portugal para que Marília prosseguisse a viagem. Mãe de estudante vai tentar reparação pelo transtorno Na busca de reparação para o infeliz incidente que provocou uma série de contratempos e mal-entendidos, a funcionária pública Irandir Reis explica que não pode, diante de um ato de preconceito, ?deixar o fato passar despercebido, calar, sentar e apenas chorar?. ?Como cristã, atos de desrespeitos me angustiam. Não queremos indenização ou qualquer outra coisa do tipo. O que faço questão é de uma reparação que retire do passaporte da Marília o carimbo negativo de extradição, porque isso pode prejudicá-la no futuro?, diz. ?Como também uma melhor atenção das autoridades internacionais para que casos como este não voltem a ocorrer. Ser brasileira não é sinônimo de prostituição. É bom lembrar que os tempos mudaram e o principal cargo político do Brasil é ocupado por uma mulher. Como também, que a relação econômica entre países também se alteraram. Tempo de permanência no País não é respeitado Ao se pronunciar sobre o incidente envolvendo a estudante alagoana, a comunicação do Itamaraty explicou, por meio de nota, que a questão das dificuldades para o ingresso de brasileiros na União Europeia está relacionada ao incremento dos casos daqueles que entraram como turistas e que ultrapassaram o período de permanência legal, ficando em condição migratória irregular. ?Com efeito, houve um sensível aumento na última década do número de brasileiros que se dirigem à Europa, em especial, à Espanha, com intenção de não retornar ao Brasil. A esse aumento correspondeu uma intensificação dos controles de entrada na União Europeia?, diz.