Cidades
�rg�os federais investigam fraude na reforma agr�ria
A direção do Incra em Alagoas decidiu afastar das funções o engenheiro agrônomo Josan Agostinho, citado numa reportagem da Gazeta, do último domingo, como o principal articulador da venda ilegal de lotes para reforma agrária no Estado. Funcionário de carreira da casa, o engenheiro atua no Incra há mais de 20 anos e ontem, um dia após a denúncia ser publicada na Gazeta, ele não compareceu ao trabalho. Além do afastamento de Josan Agostinho, a direção do Incra também anunciou ontem pela manhã, em coletiva à imprensa, que criou uma comissão para apurar a denúncia de venda de lotes para reforma agrária. A comissão será chefiada pela procuradora Alzeneide Maria da Silva, da Advocacia Geral da União (AGU), além de contar com a participação de funcionários do Incra. ?Será aberto um processo administrativo disciplinar, onde esse servidor do Incra [Josan Agostinho] terá todo o direito ao contraditório, a apresentar sua defesa?, afirma o superintendente do Incra em Alagoas, Estevão Oliveira. Governo federal vai investigar vendas | MAURÍCIO GONÇALVES - Repórter A Controladoria Geral da União (CGU), a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria Geral da República vão investigar a venda de lotes da reforma agrária em Alagoas, denunciada com exclusividade pela Gazeta. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defende a criação da CPI do Incra, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional para apurar o esquema dentro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A Controladoria Regional da União em Alagoas já encaminhou ontem mesmo as denúncias publicadas nas edições da Gazeta de sábado e de domingo para a CGU, em Brasília. O chefe da Controladoria no Estado, Cláudio Vilhena, deve receber hoje a cópia da gravação de áudio com os assentados que venderam o lote 21 do Assentamento Dom Hélder Câmara, em Murici. A terra de 7 hectares foi negociada por R$ 25 mil. Vendedor é dono de frota de ônibus O assentado que vendeu um lote da reforma agrária para a Gazeta é dono de uma frota de ônibus e está terminando de construir um posto de gasolina na entrada de Murici, na rodovia BR-104. O empresário Cícero Nicolau Ferreira contou detalhes do golpe para virar um assentado, sem saber que a conversa era gravada. Com o apoio do líder do Assentamento Eldorado do Carajás, Ivanci da Silva, e do funcionário do Incra Josan Agostinho, o novo comprador teria o nome incluído no cadastro da reforma agrária. Após o líder do assentamento garantir que o nome do comprador seria registrado no Incra, Cícero Nicolau nos levou até o lote, a cerca de oito quilômetros da subestação de energia de Murici. ?Agora vou fazer a propaganda da terra para a gente fechar o negócio, o senhor vai ver que é uma beleza e está muito barato, só vou vender mesmo porque preciso terminar essa obra do posto?. MG Técnico responsabiliza latifundiários | FELIPE FARIAS - Repórter O técnico agrícola Josan Agostinho de Farias disse atribuir a ?latifundiários que querem desmoralizar a reforma agrária? as denúncias que o envolvem com a venda de lotes em assentamentos, na região de Murici. Como se tratam de terras desapropriadas para assentar famílias de trabalhadores rurais, os imóveis pertencem à União e não podem ser comercializados. Como a Gazeta mostrou no último domingo, lotes que deveriam estar servindo para assentamento de famílias para fins de reforma agrária, são vendidos. E a função de Josan, que é funcionário da Superintendência do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) em Alagoas, seria a de ?enxertar? na lista de beneficiários os nomes de pessoas que compram os lotes de maneira irregular. Agostinho foi afastado de suas funções e deverá ser uma das primeiras pessoas a depor perante a comissão de apuração do caso, instaurado pela Superintendência. Como o grupo de trabalho foi constituído nessa segunda-feira, ainda não houve depoimentos.