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Conjunto de barracas se transforma em bairro improvisado

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União dos Palmares ? A vida de fato mudou muito para as vítimas das enchentes que devastaram, em junho do ano passado, cidades da região da Mata Norte alagoana. Passados nove meses da tragédia, e ainda alojados em barracas de lona que fervilham com temperatura acima dos 45 graus, eles tentam, a cada dia, retomar a rotina que viviam no passado ? e assim estão transformando os acampamentos em ?bairros? improvisados. Localizados em áreas livres dentro ou no entorno das cidades que foram atingidas pela cheia, os acampamentos dos desabrigados continuam lotados. E agora, a exemplo de um bairro periférico qualquer ? com muitos problemas e bastante improviso ?, os alojamentos ganharam comércio de produtos e serviços conduzidos pelos moradores para atender a própria comunidade. Moradores complementam a renda Ainda no maior acampamento de União dos Palmares, há quem faça conserto de eletrodomésticos, venda roupas, ofereça corte de cabelo e cuide da vaidade das mulheres. Esse é o caso da dona de casa e manicure Maria José da Silva, que é casada com o eletrotécnico José Nilton da Rocha. Enquanto ela trabalha na barraca do acampamento e nas casas das clientes fazendo unhas, ele se divide entre o espaço na feira e o da barraca para consertar eletroeletrônicos. ?Serviço tem aos montes. Sempre aparece alguém com um eletro quebrado para consertar. O difícil é o pagamento. Daí é preciso impor regras e até rejeitar alguns serviços. Até porque vivo do que ganho com os consertos?, conta José Nilton, ao expor que antes a oficina de consertos ficava na antiga casa que foi destruída pela inundação. Convivência nas barracas ainda é difícil União dos Palmares ? Além do comércio, no mesmo acampamento em Branquinha outras duas barracas de lona servem de apoio para atividades do projeto Segundo Tempo, do governo federal. No local, um espaço de convivência está sendo construído para uso dos moradores que atualmente só possuem as barracas como suporte. Com praticamente todas as barracas lotadas nos acampamentos das vítimas da enchente, vez ou outra há famílias que saem abrindo espaço para outras que chegam de imediato. Quem deixa o local, muitas vezes para se arriscar nas áreas de risco de onde foi expulso pela fúria da natureza, foge da temperatura das barracas e da convivência que obriga ao uso de banheiros coletivos e outras situações.

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