Cidades
Macei� tem carnaval limitado
Conhecida como a cidade onde as festividades carnavalescas se concentram apenas durante as prévias, Maceió reforça a auto-imagem com mais uma programação de apenas uma noite, que ocorreu ontem, no sábado de Zé Pereira. Enquanto prefeituras do interior investem em shows noturnos e no apoio aos blocos de rua, povoando regiões e aquecendo a economia local, Maceió passa todo o carnaval com ?aspecto? de Quarta-feira de Cinzas, salvo as insistentes iniciativas populares. Oficialmente, apenas o desfile das Escolas de Samba faz parte da agenda carnavalesca da capital, embora até este tenha ficado comprometido por falta de recursos, que só chegaram na última hora. Programadas para desfilar ontem, as escolas deixaram de suar a camisa apenas com o samba para correr atrás de patrocínios. Era esta a alternativa, caso os prometidos R$ 50 mil não saíssem. Dois dias antes do desfile, o valor foi liberado. Mesmo com a adrenalina e a correria, os integrantes da Liga das Escolas estiveram em vantagem, se comparados aos demais produtores culturais que intencionaram realizar eventos à população. Um dia antes de começar o carnaval na Praça Moleque Namorador, o presidente da Associação Pontagrossense, Petrúcio dos Santos, recebeu a notícia de que o município não arcaria com nenhum custo para a realização do evento. Bairros ajudam a ?salvar? a folia Fato é que, apesar da falta de dinheiro, alguns blocos decidiram realizar o carnaval por conta própria. Hoje, saem nas avenidas os remanescentes blocos da Associação de Moradores do Conjunto Santos Dumont e da Raposa de Bebedouro. Mas a evasão em Maceió provocada pelo esvaziamento da programação carnavalesca traz uma impressão, aos que ficam, de que tudo simplesmente ?parou?. Até o caótico trânsito da Avenida Fernandes Lima transforma-se em uma pista vazia. As praias, geralmente lotadas no final de semana, ficam quase desertas. Aos cosmopolitas e adeptos da folia, a imagem provoca inquietude e os impulsiona a sair da capital em busca das festas de interior. Entretanto, não são todos os que procuram a agitação. Para Paula Sarmento, antes de pensar em mobilizar a cidade e ?profissionalizar? o carnaval, deve ser levada em conta a opinião de todos os lados. Bailes caem no esquecimento Sem pulo, sem passo, sem frevo. Os tradicionais bailes de carnaval de clube caíram no esquecimento. Silenciadas ao longo da última década, as festas momescas dos grandes salões chegaram ao fim sem anúncio prévio, deixando entristecidos os foliões que, em tempos idos, lotaram salões fantasiados e entorpecidos de animação. Com a mudança dos festejos dos clubes para a rua, a tradição dos grandes carnavais em espaços fechados saíram de moda e deixaram órfãos os salões dos grandes clubes que fizeram por décadas a magia do carnaval de Maceió. Com o grito carnavalesco engasgado na garganta por mais de dez anos, os administradores dos dois clubes mais tradicionais da cidade ? Iate Clube Pajussara e Fênix Alagoano ?, que fizeram sucesso na década de 60 e 70, auge dos carnavais de clube, lamentam o hiato do festejo e relatam que algumas medidas vem sendo conversadas nos bastidores para tentar resgatar os carnavais de clube. Salões eram frequentados por gente de várias classes sociais O comodoro do Iate Clube Pajussara Moacir Albuquerque relembra que além da folia noturna havia matinais e matinês; e que a animação só terminava na praia, quando a orquestra levava os foliões para o banho de mar. ?E durante todos os dias de festas, as pessoas investiam em fantasias, tantos os adultos e jovens como as crianças. Mas, na Quarta-feira de Cinzas, todos já vinham para o clube com roupa de banho porque sabiam que a folia terminaria no mar. Era um tempo bom porque não havia violência e todo mundo se respeitava?, recorda. Mesmo com o carnaval de rua em alta na cidade, com a participação de corso pelas ruas de Maceió, os clubes eram disputados pelos foliões de todas as classes sociais. Quem era sócio apresentava convidados; quem não era, sempre arrumava um jeito de entrar. Quem relembra da dificuldade para entrar nos principais bailes de carnaval dos clubes da capital é o fotógrafo Gilberto Farias. Quando a festa nasce do povo Penedo ? O luxo das escolas de Samba do Rio de Janeiro e São Paulo não passam de imagens na televisão para as pessoas que lutam para manter vivas as tradições do carnaval no interior de Alagoas. Apesar de parte das prefeituras organizar uma programação com bandas de Axé, pagode e até forró, nesse período do ano, o esforço de pessoas simples mantém o carnaval de rua, movido a orquestras de frevo, muito vivo. Uma dessas pessoas é Tadeu Gomes Lira, artista plástico de Penedo. Desde a adolescência ele fabrica bonecos gigantes que animam o carnaval de rua da cidade e de outros municípios alagoanos, e que viajam para animar foliões também em Sergipe e Bahia. ?Fui convidado também para o bloco Brochados, que desfila na quarta-feira em Recife, e estou organizando a viagem para lá com alguns dos bonecos?, conta, animado. Tradição em Igreja Nova são os mascarados ou ?papa-angus? Igreja Nova ? O carnaval é também palco para manifestações folclóricas. Em Igreja Nova, por exemplo, é a época dos ?caretas? ou ?papa-angus? saírem às ruas. Usando máscaras fabricadas por artesãos locais, enrolados em lençóis ou vestidos em mortalhas, a graça é brincar sem ser reconhecido. ?Se ninguém sabe quem é que está por trás da máscara, você pode sair pela rua e fazer o que quiser?, diz o estudante Fabrício Luís dos Santos. De acordo com o artesão José Amaury Rocha, o conhecido Gugué, a brincadeira dos caretas, que saem pelas ruas fazendo algazarra é uma tradição que não tem idade. Ele conta que aprendeu a fabricar as máscaras quando era criança, ensinado pelo pai, que havia sido ensinado pelo avô. ?Não tem idade para brincar de careta. Homem, mulher, pessoas de idade, crianças, todo mundo usa máscara para brincar o carnaval?, declarou. Municípios do Litoral Sul contam com uma programação variada Arapiraca ? Seja usando uma máscara ou seguindo um boneco gigante, quem escolhe o Litoral Sul, a orla do São Francisco ou o Sertão para passar o carnaval pode escolher entre as várias opções de folia. Como a distância entre alguns povoados e município onde há programação é pequena, dá até para aproveitar os festejos em várias localidades diferentes. Esse é o caso de Coruripe, que possui quatro palcos de festa, na cidade e nos povoados que recebem turistas dos Estados vizinhos. No Clube do Povo, que fica na cidade, as festas começam a partir das 22h, hoje com as bandas Prakaramba e Só Caju, amanhã com Face Nova e Beijo na Boca e na terça com Explosão da Swingueira e Flor da Pele. Sossego e folia em Maragogi Maragogi ? Mais uma vez, Maragogi foi o destino escolhido por milhares de foliões para passar o ?reinado de momo?. Com 27 km de belas praias, o balneário atrai turistas de várias partes do Brasil que chegam em busca de diversão e até mesmo de descanso. As opções de hospedagem são muitas: resorts, hotéis de médio porte, pousadas e casas de veraneio. Áreas destinadas ao camping também são ocupadas durante o carnaval, sobretudo pelos que desejam ?um retiro espiritual?. De acordo com a Associação do Trade Turístico de Maragogi e Japaratinga (Ahmaja), a taxa média de ocupação dos meios de hospedagem deve ficar em torno de 90% neste carnaval, ou mesmo ultrapassar esta casa. Pernambucanos trocam o frevo pela tranquilidade de Alagoas Como já é de praxe, os pernambucanos voltaram a ?invadir? Maragogi neste carnaval. Alegres e bons de frevo, eles animam ainda mais a festança de momo no segundo polo turístico de Alagoas. A maioria vem da região Agreste, de cidades como Caruaru, Toritama, Santa Cruz do Capibaribe e Brejo da Madre de Deus. Desfilam simpatia e irreverência. Para o estudante Ronethi Roberto, 24 anos, o carnaval acaba se transformando numa grande confraternização. ?Aqui encontramos outros amigos de Toritama que estão hospedados em Maragogi e acontece aquela integração?, disse Roberto, que reuniu 22 colegas e alugou uma casa na orla marítima por R$ 3 mil para passar o carnaval. Custos e afazeres domésticos são divididos em nome da alegria. ?Passo o carnaval aqui desde 1997?, disse, sob a faixa que anuncia o nome da turma: ?Desmantelo?.