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S�o Sebasti�o preserva renda de bilro

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São Sebastião ? O entrelaçamento minucioso de linhas se transforma em delicados trabalhos nas mãos das rendeiras de São Sebastião, no Agreste alagoano. Em um tempo onde a urgência de comprar peças prontas para o uso fala mais alto que o orgulho de exibir uma peça inteiramente feita à mão, a renda de bilro resiste às dificuldades de mercado e divulgação, mantendo praticamente intactas as características das rendas portuguesas. Foram famílias portuguesas que se estabeleceram na região onde hoje é São Sebastião que trouxeram a renda de bilro, arte passada de geração em geração entre as mulheres que sobrevive até hoje. Segundo o secretário de Cultura e Turismo de São Sebastião, Ferenc Puskas, a história do município está entrelaçada com o artesanato feito com bilros. Artesã é patrimônio vivo da cultura As mãos ágeis, que manipulam mais de uma centena de bilros, têm 76 anos. Apesar dos óculos para enxergar os pontos minúsculos e de dores de coluna por ficar muito tempo com as costas curvadas, mestra Clarice ? tratamento respeitoso dado à artesã Clarice Severiano dos Santos, patrimônio vivo da cultura alagoana ? não cansa da renda de bilro. ?Quando a gente começa a fazer uma peça, não quer mais parar até que esteja terminada. Passei uns dias meio doente, mas agora voltei a trabalhar e todo dia faço renda até 11 horas da noite?, afirma mestra Clarice, que apesar de confeccionar rendas há 66 anos, mantém o mesmo entusiasmo diante da almofada de onde tira ricos e delicados trabalhos. Meninas aprendem ofício na escola Errar e começar de novo é uma das primeiras lições que as meninas da escola de rendas mantida pela prefeitura aprendem. Com apenas quatro bilros, elas começam pelos traçados mais simples, com oito ou até menos anos de idade. ?Quando elas passam a dominar a técnica com quatro bilros, nós colocamos mais dois, e assim sucessivamente, até conseguirem trabalhar com qualquer quantidade de bilro?, afirma a artesã Maria Davi, professora. A rendeira conta que aprendeu o ofício com a mãe, quando tinha a idade das meninas que hoje fazem o curso de renda. Apesar de considerar um trabalho difícil, principalmente para quem já cansou a vista de tanto observar os pontos minúsculos marcados com alfinetes espetados na almofada, sente-se gratificada.

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