Cidades
Fogo em pavilh�o queima Bombeiros
O incêndio do Pavilhão de Artesanato e a prisão do major Carlos Burity detonaram uma nova crise na cúpula da segurança pública. A falta de caminhões e de água para combater as chamas, no último sábado, revoltou o oficial do Corpo de Bombeiros, que criticou o sucateamento do órgão e disse se sentir ?um palhaço? ao ter que assistir o fogo queimar sem poder agir. No domingo, uma ordem direta do secretário de Defesa Social, Dário César, determinou a prisão administrativa deste major por 72 horas. Além de expor (mais uma vez) a frágil estrutura da corporação, o episódio é marcado por uma sucessão de ordens atravessadas, versões oficiais contraditórias e quebra de autonomia do comando dos bombeiros. Em meio à chusma de medidas atabalhoadas, questões básicas ainda não foram bem respondidas: Por que o caminhão estava sem água? Por que o Corpo de Bombeiros (CB) não tem caminhões suficientes? Se dois deles estão quebrados, quando serão consertados? Pela hierarquia militar, somente o comandante do CB ou o próprio governador do Estado poderiam determinar a prisão do major. Após a repercussão negativa do caso, ontem pela manhã, a assessoria de comunicação dos bombeiros tentou negar que a ordem tenha partido do secretário. No entanto, a informação oficial foi desmentida por um documento da corregedoria, postado horas antes na internet, através de um seguidor do twitter de Burity. Água foi conseguida por amigos A água que apagou o incêndio não foi trazida, nem mesmo obtida, pelo Corpo de Bombeiros. Os donos do Pavilhão de Artesanato, Élvio Cavalcante Costa e Solange Costa, disseram que ?a sorte foi alguém da família ser amigo do dono da empresa Viva Ambiental, que mandou dois carros-pipa imediatamente?. O estopim do vexame aconteceu, no sábado pela manhã. O único caminhão dos bombeiros enviado para apagar o incêndio ficou sem água, menos de dez minutos após entrar em ação. ?Fiquei desesperada quando vi tudo queimando e os bombeiros parados, sem ter como trabalhar. Se tivesse água, só teria queimado uma ou duas tendas, mas o prejuízo atingiu dez lojas no térreo e cinco ou seis no primeiro andar?, lamenta Solange. Como não havia hidrantes na região, o caminhão foi reabastecer longe. Quando voltou, o fogo já tinha sido apagado com a água adquirida na base da amizade. Até baldes e uma mangueira de jardim foram utilizadas. ?Qual é a matéria-prima do Corpo de Bombeiros? É água? Como é que pode faltar??, questiona o proprietário do Pavilhão, que lamenta a prisão do major. ?Ele apenas teve coragem para dizer a verdade?, arremata Élvio.