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Bombeiros t�m verba de R$ 70 milh�es

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Sem água, sem caminhões e sem equipamentos para combater o incêndio do Pavilhão do Artesanato como deveria, o Corpo de Bombeiros (CB) arrecada cerca de R$ 5,6 milhões por ano para investir em estrutura. A receita, livre dos custos com diárias e folha de pagamento, é formada por taxas municipais, verba de custeio prevista no orçamento estadual, convênios com o governo federal, doações e serviços realizados. O vexame da última operação, há pouco mais de uma semana, na Pajuçara, chamuscou a imagem da corporação. O único caminhão enviado ficou logo sem água; a missão foi marcada pelas vaias e xingamentos da população. Para piorar, o oficial que estava no comando, major Carlos Burity, denunciou a falta de condições de trabalho e foi preso por determinação do próprio secretário de Defesa Social, Dário César, numa decisão considerada ilegal. Independente das trapalhadas, polêmicas e de toda celeuma criada em torno do episódio, fica uma pergunta básica: a corporação tem recursos para investir na compra de viaturas e equipamentos, bem como na manutenção da frota? Oficial relata dificuldades em ação O comando respondeu à denúncia contra o comandante dos bombeiros, coronel Neitônio de Freitas, por improbidade administrativa, com uma breve nota de esclarecimento, informando apenas acreditar que ?nenhuma eventual ação ou omissão dos componentes da corporação tenha dado causa ao incêndio?. Ao fim do texto, a nota ?louva a Deus a oportunidade de poder aprofundar as investigações para o esclarecimento dos fatos?. Coronel Neitônio também recorreu à lógica transcedental ao comentar a falta de estrutura dos bombeiros para apagar o fogo. Após exibir a Bíblia em entrevista na televisão e rogar que a ?paz do senhor esteja convosco?, o comandante dos bombeiros pregou que o único caminhão enviado ao Pavilhão de Artesanato tinha água. O problema, segundo ele, foi que a água acabou. Faltou água, mas não faltou bravura aos bombeiros vaiados no Pavilhão de Artesanato. Após denunciar a falta de estrutura na imprensa e ser preso, o major Burity não deu mais entrevistas sobre o assunto, mas o depoimento oficial dele para a Corregedoria do Corpo de Bombeiros dá uma clara noção dos problemas enfrentados pelas equipes no dia da ocorrência. Casos de negligência e corrupção geram crise As enchentes ocorridas em junho do ano passado também trouxeram uma enxurrada de recursos emergenciais que inflaram a receita da corporação, com a criação do Fundo Estadual da Defesa Civil. Foram R$ 75 milhões de convênios com a União, além de R$ 3,6 milhões coletados com doações de pessoas físicas e mais de R$ 1,2 milhão com doações de instituições privadas. São quase R$ 80 milhões destinados para os desabrigados das chuvas, e parte dos recursos foi empregada na manutenção da estrutura da corporação. Com essa arrecadação de R$ 5,6 milhões por ano, é difícil entender como só havia um caminhão disponível para combater as chamas na Pajuçara. Enquanto os bombeiros eram vaiados, dois outros veículos estavam fora de atividade, parados em oficinas. Também não é fácil explicar como um investimento de R$ 12,5 milhões foi queimado em outro incêndio vergonhoso, no galpão de donativos para desabrigados da chuva, em Jaraguá, no mês de dezembro. Inadimplência de taxa é apontada como entrave Sobre o desabafo que fez na imprensa, o major Carlos Burity alegou que ?estava sob uma carga de estresse muito grande devido à situação, baseada em fogo se alastrando, bombeiros impotentes, população revoltada, e responsabilidade e medo de que aquela situação fugisse do controle?. Para se defender das acusações de desrespeito à hierarquia, ele garante que ?em nenhum momento em suas declarações pensou em atingir ninguém? porque estava ?no auge do estresse de uma situação extremamente grave e sob forte pressão psicológica? e que, ?quando declarou que há 16 anos fazia papel de palhaço, foi porque há 16 anos ouve a população criticar a corporação, sem ter a noção do empenho e dedicação dos bombeiros?. Foram quatro escândalos sem precedentes nos últimos seis meses. O envolvimento de oficiais no roubo de chinelos e roupas para desabrigados, o incêndio do galpão com 20 toneladas de donativos, a denúncia de improbidade administrativa contra o comandante e três oficiais, e a falta de estrutura para apagar o fogo do pavilhão. Na falta de um buraco para esconder a cabeça, o CB tenta renascer das cinzas, anuncia a chegada de novos equipamentos e garante ter estrutura para combater incêndios. Burocracia agravaria problemas Segundo o capitão Rômulo, o bi-trem doado pela Polícia Federal e que estaria passando por uma revisão no dia do incêndio deve entrar em operação no prazo de uma semana, sendo a quinta viatura a ficar de prontidão nos quartéis de Maceió. Outro problema enfrentado é a falta de hidrantes de rua. Cerca de 75% deles não servem para o combate ao fogo. Mais de 60% estão quebrados e os demais não têm a pressão ideal. Para a Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), a falta de viaturas no incêndio do pavilhão só reflete o sucateamento por que passa todos os órgãos vinculados à Secretaria de Defesa Social (Seds). O presidente da Assomal, major PM Wellingto Fragoso, compara a estrutura da segurança pública a um ferro-velho com as catracas estragadas. ?A segurança em Alagoas é uma engrenagem, com órgãos que dependem uns dos outros, mas hoje são equivalentes a catracas enferrujadas?, compara o major. Para ele, o sucateamento não está só nos Bombeiros, mas na Polícia Militar, Polícia Civil, Instituto de Criminalística e Instituto Médico Legal.

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