Cidades
Guarda Municipal enfrenta dificuldades
Quase dois anos depois do polêmico curso que garantiu à maioria dos guardas municipais o direito ao porte de arma de fogo, a Prefeitura de Maceió não resolveu pendências burocráticas indispensáveis à liberação, por parte da Polícia Federal, do documento que torna legal a aquisição e distribuição dos artefatos aos vigilantes de prédios públicos onde há a necessidade da atuação do profissional armado. O uso do instrumento, indispensável à segurança patrimonial em território de muita malandragem e tráfico de drogas, continua proibido em Maceió e não tem previsão de ser liberado porque a Guarda Municipal também não fugiu ao amadorismo funcional: continua sem ouvidoria independente e não construiu qualquer tipo de paiol para a guarda de projéteis e armas. ?A estrutura da guarda é um improviso só?, critica Cleif Ricardo, guarda há 13 anos e presidente do sindicato da categoria. Polêmica sobre uso de arma continua Na tarde da última terça-feira, a reportagem constatou uma distorção funcional: os dois guardas municipais de plantão no posto do Parque Municipal, no meio do mato, no histórico bairro de Bebedouro, trabalhavam armados com revólveres calibre 38 pertencentes à Guarda Municipal, que continua sem amparo legal para enviar qualquer tipo de arma aos seus servidores. Genivaldo José dos Santos e Cícero Aleixo da Silva, que cumprem jornada diária de 12 horas de trabalho, optaram por não polemizar sobre o assunto, mas admitiram que, sem arma de fogo, não se sentiram seguros para tentar vigiar dezenas, centenas de visitantes entre as trilhas da área de lazer. ?Ficaria muito difícil garantir segurança aos visitantes de fim de semana sem dispor da arma de fogo?, reconhece Genivaldo José dos Santos, guarda municipal há 12 anos. ?Sem arma, a gente seria alvo fácil durante as inspeções noturnas no trajeto entre o posto e o portão principal do parque?, diz Cícero Aleixo. Profissionais e município discordam Se fossem postos cara a cara para debater a adoção do esquema de vigilância patrimonial particular em prédios da prefeitura, sobretudo na Secretaria Municipal de Educação (Semed), o secretário Pedro Montenegro e o presidente do SindGuarda, Cleif Ricardo, sairiam do encontro sem que houvesse consenso entre as partes. ?A prefeitura quer usar um bolo enorme de dinheiro para vigiar prédios, quando deveria contratar mais servidores?, critica Cleif. ?Opor-se ao monitoramento eletrônico é contraditório. No mundo moderno, não se faz vigilância patrimonial sem apoio da tecnologia, útil para inibir o vândalo?, argumenta Montenegro. A polêmica começou duas semanas atrás, quando a Semed anunciou investimento de R$ 1,2 milhão na contratação de uma empresa de vigilância patrimonial, vencedora de processo licitatório para instalar câmeras e sensores de presença em 30 escolas, além de disponibilizar patrulheiro para correr ao prédio caso se constate invasão.