Cidades
No litoral, rio transborda e moradores perdem tudo
Em Jacarecica, Litoral Norte de Maceió, o rio transbordou durante a madrugada, derrubou, muros, inundou casas e fez um rastro de destruição, com grandes prejuízos para os moradores. No meio dos destroços em que se transformaram os móveis e eletrodomésticos de sua casa, a doméstica Jeane Almeida não continha o choro de desespero. ?Cada coisa que temos nesta casa compramos com muito sacrifício. Há dois meses meu filho conseguiu comprar um computador e uma mesinha. Ficou tudo embaixo d?água. Até os livros da biblioteca da universidade, que ele pegou para estudar, a água levou. Não temos mais fogão, nem geladeira, nem cama, nem guarda-roupa. Nada presta mais. E até a feira nós perdemos?, mostra ela. Na parede, a marca da água, acima da sua cabeça, mostra que o nível do rio subiu cerca de 1,70m. Na área de serviço, a máquina de lavar e a geladeira foram arrastadas pela correnteza. ?O pouco que nós tínhamos foi embora. Não sei quando vou conseguir tudo de novo?, lamenta Jeane. ?Isso não é ação da natureza. Vamos estudar se cabe uma ação contra o Estado e o município?, destaca seu filho, o universitário José Roberto. Residenciais ficam alagados em Maceió | LÁZARO CALHEIROS * - Estagiário Moradores de cinco conjuntos da parte alta de Maceió ficaram com as principais ruas inundadas devido às fortes chuvas que atingiram a capital, na madrugada dessa terça-feira. Entre os conjuntos afetados estavam o Village Campestre, Colina dos Eucaliptos, Graciliano Ramos e Santa Lúcia. No Santa Lúcia, os moradores começaram um protesto, ainda na madrugada, queimando pneus e bloqueando o trânsito na principal rua do conjunto, a Belmiro Amorim, onde o alagamento provocou a queda das paredes de duas residências e deixou duas pessoas feridas. Segundo os moradores, sempre que chove a via inunda e a água acaba invadindo as casas. Eles reforçaram que o problema começa porque a tubulação por onde a água da rua de trás escorre está entupida e a água não tem para onde correr. * Sob supervisão da editoria de Cidades População protesta e cobra solução Rio Largo ? Moradores do bairro Mata do Rolo, em Rio Largo, bloquearam as duas pistas da rodovia BR-101, ontem, com galhos de árvores, como forma de protesto por causa da inundação na Travessa Simão Januário, provocada pela chuva durante a madrugada. Quando a equipe de reportagem da Gazeta de Alagoas foi até o endereço indicado pôde comprovar a denúncia dos moradores. As famílias que moram na travessa foram surpreendidas pela água, que atingiu quase um metro de altura. Os populares culpam a Prefeitura de Rio Largo pelo alagamento. De acordo com eles, em dezembro do ano passado o município iniciou a construção de casas para as famílias que ficaram desabrigadas, após as enchentes de junho último, e por causa do serviço de terraplanagem malfeito, que impede o fluxo da água para uma lagoa atrás da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), houve a inundação nessa terça-feira. LC