Cidades
Confus�o no primeiro dia de greve da Pol�cia Civil
Traficantes liberados, delegado dirigindo camburão, transporte de bandidos sem escolta, PMs sem saber o que fazer com presos em flagrante, Central de Polícia sem delegado. A greve dos policiais civis começou para valer, ontem, inclusive com a suspensão dos 30% de serviços essenciais, e provocou o caos na estrutura de segurança pública de Maceió. A crise chegou a tal ponto que o delegado geral da Polícia Civil, Marcílio Barenco, comunicou à Polícia Militar que enviasse os casos urgentes para a direção geral da Polícia, que ele mesmo receberia os presos. Detalhe: o prédio de Jacarecica não tem celas. A equipe da Central de Polícia recebeu ordens para se deslocar até a direção, mas os agentes e escrivães já tinham aderido à greve. Apenas o delegado Vinícius Ferrari podia atender o chamado. Às 9 horas, o delegado plantonista Nivaldo Aleixo se viu num contexto periclitante quando o Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) iniciou o piquete de greve na Central de Polícia. Após virar a noite no plantão, ele tinha recebido sete presos em flagrante numa operação realizada pela Força Nacional no Conjunto Virgem dos Pobres. Presos pela PM são recusados na Central de Polícia As guarnições da Polícia Militar não tinham a menor ideia da confusão na Central de Polícia, no Sobral, quando chegaram trazendo três presos em flagrante por tráfico de drogas, pouco antes das 10 horas. Duas mulheres saíam revoltadas por não registrar a queixa do roubo de um cartão de crédito, três funcionários do Tribunal de Justiça constatavam o descumprimento da decisão judicial e os dois delegados presentes estavam prestes a sair, cumprindo as funções de motorista de camburão e de escolta. Flagrados com 29 pedras de crack, cédulas de dólares e reais na Grota do Moreira, no Jacintinho, os presos foram liberados na Central de Polícia. ?Disseram para a gente mesmo fazer o TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) e depois soltá-los?, contou o soldado PM Barros Júnior, ainda atônito. O cabo Jota Rogério cogitou encaminhar os presos para o Centro Integrado de Operações da Defesa Social (Ciods), no Centro. MG Diretores atuam como plantonistas Já que delegados atuaram como motoristas e agentes, diretores da Polícia Civil cumpriram o papel de plantonistas no primeiro dia de greve dos policiais. Os militares do BPE foram até o prédio da direção geral, em Jacarecica, e entregaram os presos ao Departamento de Polícia Judiciária Metropolitana (DPJM). Em contato por telefone com o delegado da Central de Polícia, o diretor do DPJM, Arnaldo Soares de Carvalho, passou as ordens. ?Vinícius, vamos fazer os flagrantes aqui na Delegacia Geral, já conversei com o Barenco e o Mário Jorge (diretor adjunto), traga o pessoal todo para cá e deixe o aviso na portaria da Central?, orientou Carvalho. O diretor garantiu que haverá policiais para receber os presos, fazer os flagrantes e encaminhá-los para a custódia. ?Vamos fazer o essencial, é um absurdo não fazer os flagrantes, é uma irresponsabilidade e uma falta de respeito muito grande com a sociedade?, critica Carvalho. MG Delegacias param na região Norte | SEVERINO CARVALHO - Repórter Maragogi ? Os agentes lotados nas delegacias de Polícia Civil da região Norte de Alagoas, ligadas às regionais de Matriz do Camaragibe (8ª DRP) e de Novo Lino (10ª DRP), aderiram à greve geral iniciada a partir da zero hora de ontem. Os policiais das 13 delegacias localizadas na região Norte do Estado estão de braços cruzados e só atendem aos casos de flagrante delito. A categoria reivindica salário de R$ 7,2 mil, o equivalente a 60% dos vencimentos de um delegado, e melhores condições de trabalho. ?Paramos tudo! Só estamos atendendo aos flagrantes, como manda a lei?, afirmou uma agente de polícia lotado na Delegacia Regional de Novo Lino, que coordena os serviços nas municipais de Joaquim Gomes, Colônia Leopoldina, Campestre, Jundiá e Jacuípe. Boletins de ocorrência estão suspensos | PATRÍCIA BASTOS - Repórter Arapiraca ? No primeiro dia de greve, o Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol) promoveu um café da manhã para os agentes que trabalham na Central de Polícia de Arapiraca. Os policiais passaram a manhã inteira sob uma tenda montada na calçada explicando às pessoas que compareciam ao local como as delegacias irão funcionar no período da paralisação. ?O único serviço que iremos prestar será fazer os flagrantes que serão trazidos pela Polícia Militar. Todas as investigações foram paralisadas, assim como o mutirão de inquéritos. Os delegados continuam trabalhando, mas para os agentes a greve é geral?, informou o diretor do Sindpol, Sidney Moreira Ribeiro, explicando que mesmo assim, os agentes deverão continuar comparecendo ao expediente. Agentes penitenciários decidem parar | FÁTIMA ALMEIDA - Repórter Os agentes penitenciários de Alagoas vão entrar em greve por tempo indeterminado, a partir do dia 2 de maio. Em assembleia realizada ontem pela manhã, nas dependências do Presídio Cyridião Durval, eles decidiram acompanhar a tendência de unificação do movimento dos trabalhadores na segurança pública de Alagoas, que vem sendo trabalhada pelos sindicatos e associações das categorias, e que já tinha, como ponto de partida, a decisão de paralisação dos policiais civis, iniciada ontem. De acordo com o presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários (Sindapen), Jarbas Souza, a categoria tem pendências de lutas anteriores que não foram atendidas pelo governo, mas os principais pontos, neste momento, são a questão salarial e a instituição do Plano de Cargos e Carreira. Com a unificação da pauta de reivindicação, eles acompanham os policiais civis, que reivindicam piso salarial de R$ 3 mil. Militares aguardam resposta do governo | MAIKEL MARQUES - Repórter Representantes de associações que representam mais de 13 mil soldados, cadetes, aspirantes e oficiais da Polícia Militar de Alagoas (PM/AL) participaram de protesto, ontem à tarde, com policiais civis em greve e avisaram que aguardam até sexta-feira a resposta do governador Teotonio Vilela Filho quanto ao pedido de pagamento de 7% de reajuste referente ao acordo salarial firmado em 2007 e que não teria sido cumprido pelo governo em sua totalidade. O governo acatou determinação judicial e resolveu implantar reposição salarial de 88,55% aos oficiais e soldados. Descontados os 11% repassados à categoria naquela época, os 77,55% restantes começaram a ser pagos em ?suaves? prestações. 30% foram repassados ao longo de 2007 e 40% no decorrer de 2008. Os 7,55% nunca foram incorporados ao salário dos militares, segundo informação do major Wellington Fragoso, atual presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal). ?É dívida antiga que o atual governo ainda não pagou, embora tenha concordado com a mesma?, critica o oficial da PM.