Cidades
Chuva n�o para e problemas se agravam no interior
Maragogi ? O céu está fechado em nuvens carregadas para Alagoas desde a semana passada e, agora, desaba sobre a Mata Sul de Pernambuco. Pouco a pouco, o cenário sombrio que se formou no ano passado vai se reconstituindo para o desespero dos moradores dos dois Estados. Rios que nascem ou cortam Pernambuco e passam por Alagoas começam a ganhar volume desde as cabeceiras, com as precipitações cada vez mais intensas. Por aqui, o solo encharcado já apresenta sinais de saturação, mas a chuva não dá trégua. Ontem, mais três municípios alagoanos decretaram situação de emergência, elevando para nove o número de cidades em condições críticas. De acordo com a Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Japaratinga, Colônia Leopoldina e Jacuípe foram os três últimos a integrar a lista, que já conta com Campestre, Novo Lino, Jundiá, São Luís do Quitunde, São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras. Segundo a Defesa Civil Estadual, 4.008 pessoas foram atingidas pelos temporais. Desse total, 564 estão desabrigadas e 2.777 desalojadas. Uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas. Ainda conforme a Notificação Preliminar de Desastre (Nopred), 27 prédios públicos e 404 casas foram danificadas; 114 encontram-se destruídas. Temporais danificam rodovias ao Norte Maragogi ? Nenhuma das 280 casas prometidas pelo governo do Estado foi erguida até agora em Jacuípe e o Programa de Reconstrução no município vai sofrer atraso em decorrência das chuvas. A terraplanagem foi afetada e a lama que desceu do morro onde as casas serão construídas interditou a estrada vicinal que interliga Jacuípe a Campestre. ?Só se entra em Jacuípe de helicóptero ou de canoa?, descreveu o prefeito Amaro Marques, que teceu severas críticas, ontem, em pronunciamento na Assembleia. ?O governo só distribuiu cesta básica e água potável, mas nada do que prometeu executou?. Já em Campestre, a 113 quilômetros de Maceió, na região Norte de Alagoas, o Riacho Pedra Branca voltou a transbordar e a espalhar destruição para além de suas margens. ALE debate situação de emergência | MAURÍCIO GONÇALVES - Repórter Faltam colchões, lençóis, cestas básicas, vacinas e água potável para as vítimas das chuvas que caem em Alagoas desde a semana passada. Enquanto a ajuda demora a chegar, os municípios em situação de emergência não podem utilizar os recursos do Fundo Emergencial da Defesa Civil Estadual, que dispõe hoje de cerca de R$ 1,7 milhão. O problema foi debatido ontem, em sessão pública extraordinária, na Assembleia Legislativa (ALE). O coordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Gilson Romeiro, explica que a verba só pode ser empregada após o decreto de calamidade pública, mas defende uma revisão na lei para investimentos em prevenção. O deputado João Henrique Caldas, do PTN, presidente da Comissão de Enchentes da ALE, disse que está estudando a legislação do Fundo Emergencial para avaliar como poderia sugerir mudanças na lei. Boatos deixam população desesperada | LARYSSA OLIVEIRA - REGINA CARVALHO / Colaboradora e chefe de reportagem As fortes chuvas que castigam o Estado de Pernambuco estão levando pânico aos moradores de cidades às margens do Rio Mundaú. Desde o último fim de semana, o nível do rio não para de subir. Boatos e notícias desencontradas contribuem para o clima de tensão. Na manhã de ontem, em Rio Largo, a informação falsa de que uma barragem em Pernambuco ameaçava romper e provocar uma nova enchente na cidade causou correria entre os moradores. A Defesa Civil de Rio Largo chegou a emitir uma mensagem de alerta, por meio de um carro de som. Com o alerta e o Rio Mundaú cada vez mais cheio, os remanescentes da enchente de junho passado que insistiram em voltar para os locais atingidos já começaram a retirar os móveis das casas. A previsão é que continue chovendo em Pernambuco, o que deve contribuir para o aumento do nível das águas. Morador permanece em área ameaçada | JOBISON BARROS - Colaborador Dor, desespero e indignação tomam conta do funcionário público Marcos Fernando Quintela Fonseca, proprietário de uma residência localizada na Rua Aristeu de Andrade, no Farol, cuja área de lazer foi destruída por causa das chuvas que caíram na madrugada do último domingo (1º). De acordo com Marcos, uma árvore plantada e não cuidada por vizinhos teria cedido e arrastado parte do aterro. Marcos reside no local desde 1997 e, segundo ele, todo o terreno, situado na Ladeira Geraldo Melo, lhe pertence. ?Cheguei aqui com toda a documentação, tudo certo, além da escritura da casa, que compreende 119 metros de frente e 84 de fundo. Já os que moram aqui embaixo ? os invasores ? não possuem documento e não pagam IPTU, que é obrigação?, afirmou revoltado.