Cidades
Apartamentos pr�ximos de barreira est�o amea�ados
A cada dia o sonho de morar num dos apartamentos construídos em conjunto pela prefeitura e governo do Estado, com recursos do governo federal, e que fazem parte do Projeto Integrado do Vale do Reginaldo vai se tornando um pesadelo para algumas famílias. A cada chuva forte que cai na capital, aqueles que antes moravam em barracos continuam vivendo com o coração na mão. Para piorar o cenário de incertezas, nas últimas 48 horas, pelo menos em dois pontos, o barro veio abaixo, expondo os riscos já apresentados em reportagem da Gazeta de Alagoas, em sua edição de 30 de janeiro. De lá para cá nada foi feito para conter os deslizamentos. Atualmente, por causa das chuvas, as obras estão paralisadas. Isso porque o setor de engenharia não recomenda a construção de edificações em períodos chuvosos. O coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Antônio Almeida, por telefone, lembra que antes de as edificações terem sido erguidas deveriam ter ocorrido as obras de proteção. Barreiros, na divisa com Alagoas, está debaixo d?água | SEVERINO CARVALHO - Repórter Barreiros, PE ? A cidade de Barreiros, no Litoral Sul de Pernambuco, distante 30 km de Maragogi (AL), amanheceu na terça-feira (03) sob o repicar dos sinos da igreja matriz. Era o primeiro alerta, feito pelo pároco local, de que mais uma enchente do Rio Una estava por vir. Carros de som ganharam as ruas e as rádios repercutiam a malfadada notícia. Horas depois, 60% da cidade estava submersa e assim permaneceu até ontem. Os prejuízos dessa vez foram minimizados porque grande parte dos moradores conseguiu evacuar os imóveis a tempo, o que não aconteceu na maior inundação da história de Barreiros, ocorrida em junho do ano passado. A operação de evacuação só não conseguiu minimizar a dor daqueles que enfrentam mais uma catástrofe num intervalo de menos de um ano. Saques preocupam comerciantes Barreiros, PE ? Uma tragédia nunca vem sozinha, traz comumente outros tormentos decorrentes do caos que se instala. Ontem, criminosos aproveitavam a situação para saquear residências e casas comerciais inundadas pela enchente do Rio Una, em Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco. A Polícia Militar (PM) chegou a recuperar parte dos produtos furtados. Desde a última terça-feira, quando o Rio Una transbordou, a professora Valdemira do Nascimento, 57 anos, faz vigília acampada dentro de uma barraca montada à margem da PE-060, a poucos metros da residência dela, tomada pelas águas barrentas. ?Se eu sair daqui, o ?dono? (ladrão) vem e leva tudo?, disse. Os vizinhos dela se revezam na tarefa de vigiar a rua. ?Na enchente do ano passado, houve muito saque e agora está acontecendo de novo?, justificou. |SC Pessoas afetadas pelas chuvas já somam 5.748 | MAIKEL MARQUES - Repórter Boletim da Defesa Civil Estadual divulgado ontem cedo indica que já são 5.748 pessoas afetadas pela chuvarada que fez transbordar riachos e rios, danificando 504 residências nos dez municípios cujas prefeituras já aguardam ajuda estatal para assistir desalojados e desabrigados. Entre terça e quarta-feira, de acordo com o documento divulgado pelo governo, o número de atingidos pela enchente sofreu acréscimo de 1.748. A situação mais crítica continua sendo a de São Luís do Quitunde, com 2.179 desalojados e 300 desabrigados. Nos demais municípios, o número de desalojados é o seguinte: Campestre (30), Colônia Leopoldina (425), Japaratinga (120), Jundiá (150), Novo Lino (12), Paripueira (15), Porto de Pedras (58), Jacuípe (760) e São Miguel dos Milagres (208). Também houve acréscimo no número de desabrigados: de 564 para 764. Temporal provoca interdição de igrejas | PATRÍCIA BASTOS - Repórter Penedo ? As fortes chuvas das últimas semanas têm provocado estragos no município de Penedo. Além de buracos em algumas ruas na periferia, a chuva foi responsável pela interdição de duas igrejas e ontem provocou o desabamento do muro de uma residência no bairro Barro Vermelho. Os moradores da residência temem deslizamentos de terra do terreno ao lado. ?Construímos o muro porque em outros anos, durante o inverno, o barro do terreno vizinho invadia o nosso quintal. O medo é que esse barro desça com força e derrube a casa?, relata o morador Ailton dos Santos, que passou todo o dia tirando os restos do muro e barro do quintal. De acordo com a dona de casa Leonice Silva do Rosário, o desabamento aconteceu por volta de 3h da madrugada. Ela conta que horas antes estava junto com o marido próximo ao muro. ?Nós estaríamos debaixo da terra se estivéssemos no quintal na hora, porque a vizinha ouviu o barulho, mas pensou que não era nada grave?, disse.