Cidades
N�o nos deixem virar bandidos
Alexandre Laranjeira Leite * Alguns dias já se passaram, mas ainda não me acostumei com a idéia de terem, de forma tão covarde e perversa, tirado-nos a vida do Gustavo. A todo momento me pego indagando o por que de tanta violência e covardia. Acredito que este sentimento acompanha a cada um de seus familiares. Nós que fomos criados respeitando e amando o próximo e que somos avessos à violência, de repente nos encontramos bem no meio dela. E da forma mais covarde e cruel. Está sendo difícil aceitar que um ser como o ?nosso? Gustavo, que tinha uma vida pautada dentro de valores morais elevados e seria incapaz de ofender a quem quer que seja, viesse a ser alvo de um ato de violência. Bom filho, bom irmão e bom amigo, Gustavo sempre tinha uma palavra de conforto e os braços abertos para acolher qualquer um de nós que dele necessitasse de sua ajuda. Era uma pessoa indefesa, por não acreditar que a violência que ele não praticava nunca iria atingi-lo e por confiar demasiadamente, às vezes, em conhecidos que se faziam de amigos. Por mais difícil que esteja sendo aceitar o acontecido e a realidade, resta-nos pedir justiça e que os assassinos do Gustavo sejam punidos, para que a nossa perda seja apenas no campo afetivo ? e não aqueles valores em que foi ba-seada a nossa educação: amor e fraternidade. Não nos deixe virar bandidos. (*) é professor de Educação Física, que expressa em pequeno artigo o sentimento e dor não apenas dele, mas de todos os primos e demais familiares de Gustavo