Cidades
Trinta mil pessoas vivem em �rea de risco
O pedreiro Pedro Saturnino dos Santos Rodrigues, 42, de ?muito sofrimento?, é uma das 30 mil pessoas que vivem em área de risco ao redor de 72 assentamentos precários espalhados pelos 233 km² da zona urbana de Maceió ? de acordo com a Coordenadoria de Defesa Civil do Município (Comdec) ?, paraíso turístico onde a ocupação desordenada de terrenos inadequados para moradia não para de crescer. O casebre em que sobrevivia com a esposa e dois filhos adolescentes veio abaixo duas semanas atrás, depois de ter sido ?engolido? pela montanha de barro e pedra que despencou de uma encosta no Vale do Reginaldo, reduto de muita miséria na região central de Maceió. Pedro só não morreu porque uma antiga pilastra retardou a velocidade da tragédia há muito anunciada. ?Durante anos não houve qualquer tipo de fiscalização? Mais de 7.500 moradores vivem em áreas de risco no Vale do Reginaldo, segundo dados da Associação Comunitária dos Moradores daquele complexo de favelas onde a estrutura urbana ainda é projeto em execução e a miséria serve de ?atração? aos que residem em prédios de classe média ou alta no bairro do Farol. ?Do buraco que parece ser o vale, a gente espia a paisagem e sonha com a morada de qualidade que muita gente tem lá em cima?, diz Edivaldo Francisco de Lima, 54 anos, morador daquela assentamento precário desde 1978, quando emigrou de União dos Palmares, na Zona da Mata, em companhia de familiares. O experiente líder comunitário diz não haver uma casinha sequer na comunidade que não esteja em área de risco, seja por causa da barreira que as circunda ou então pelo córrego que passa diante de todos os moradores levando água suja e fétida à outrora paradisíaca Praia da Avenida. Parcerias ajudam a prevenir tragédia 2004 não sai da memória de muita gente em Alagoas por causa das 24 vítimas fatais de uma combinação venenosa: moradia em áreas de risco e ausência de trabalho preventivo por parte dos órgãos de proteção civil. No ano seguinte, registrou-se apenas uma vítima fatal no período pluvioso iniciado em abril e findado em julho. ?Era preciso mudar a metodologia de trabalho e envolver outros setores da administração. Não podíamos mais insistir no trabalho isolado e tocado por meia dúzia apenas?, diz Antônio Almeida, coronel aposentado do Corpo de Bombeiros Militar e ativo responsável pela Comdec. Amparada por legislação federal, a Coordenadoria tem como premissa básica vistoriar, inspecionar e tirar pessoas de quaisquer áreas de risco, preservando suas vidas. O êxito de suas ações depende do entrosamento com outros órgãos da administração municipal. Sem estes, o trabalho pode não surtir efeito.