Cidades
Adutora � miragem para quem vive de esperan�a
Quando o dia amanhece, lá vai dona Maria José, 32, residente num sítio localizado nas margens da BR-316, no acesso a Mata Grande, buscar água na barragem do seu Noca. Na maior parte do sertão alagoano ainda é assim; dona Maria José não precisa escavar o leito seco do Rio Ipanema, mas para obter a água para sobreviver com o marido e quatro filhos é obrigada a andar uma légua a pé. Cabreira com a presença de estranhos, ressabiada com promessas dos políticos, ela se espanta quando alguém lhe pergunta pela adutora; dona Maria José hesita, não sabe do que se trata e tenta encerrar a conversa com uma vaga lembrança ? ?Já ouvi falar?, diz. Na verdade, a adutora que passa por Mata Grande e Canapi foi construída no governo Guilherme Palmeira para abastecer a área urbana; o projeto deveria ter sido ampliado, mas ficou só na promessa. A sina O quadro de dificuldade se amplia com o aumento da procura, conseqüência do crescimento da população. ?Para o ano o problema será maior que este ano e assim por diante. Se o inverno for bom, como tem sido nos últimos dois anos, ameniza as dificuldades. Do contrário, o jeito será apelar para os carros-pipa?, previu o vereador Júlio dos Reis, querendo se prevenir contra o pior ? as barragens receberam muita água, mas a demanda é grande e logo estarão secas. ?A sina aqui é essa: o que a evaporação não leva, a população, cada vez maior e mais carente, se encarrega de levar porque a água da barragem é a única alternativa de que o sertanejo dispõe?, desabafa o fazendeiro Luiz Antônio Tenório. Como a água é o grande desafio do século, as perspectivas para a região são negativas ? a aridez do solo e o avanço da desertificação são ameaças graves, conforme advertiu o professor José Santino, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal de Alagoas ? Ufal. ?O Raso da Catarina, deserto localizado no oeste da Bahia, está avançando na direção de Alagoas?, afirmou.