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Vazamento na Braskem atinge 130 moradores; explos�o fere 5 funcion�rios

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A Braskem teve duas explosões em menos de 36 horas. A primeira, às 19h38 de sábado, foi seguida de um grande vazamento de cloro, intoxicou 130 moradores do Trapiche e quase matou um funcionário da fábrica que combatia a expansão do gás. A segunda, às 3h50 de ontem, feriu seis operários chamados às pressas para agilizar serviços de manutenção na área atingida pelo primeiro acidente. Cinco deles foram hospitalizados, dois estão em estado grave e um corre o risco de ter o braço amputado. Apesar de a indústria negar as explosões, moradores da região, parentes das vítimas, integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa) e do Sindicato dos Petroleiros e Químicos (Sindpetro) sustentam a informação. Os estouros não só aconteceram, como provocaram um grande barulho e levaram pânico aos bairros do Trapiche e Pontal da Barra. Segundo a Cipa e o Sindpetro, os acidentes aconteceram porque a empresa deixou de cumprir procedimentos operacionais para evitar o acúmulo de gases explosivos, principalmente a tricloramina. Segundo acidente é ainda pior A entrada do HGE virou o ponto de peregrinação dos parentes de vítimas do acidente na Braskem. O pânico e a angústia já registrados na noite de sábado se repetiram ontem pela manhã. Apesar de o primeiro evento ter provocado a internação de 130 pessoas pela inalação de gás, a segunda explosão foi considerada um acidente ainda pior, já que os seis feridos teriam escapado da morte por pouco. Eles são funcionários da empresa Mills, de manutenção industrial, e foram chamados às pressas para a montagem de andaimes no setor 225, o mesmo afetado pela explosão de sábado. O operário que tem o quadro mais grave, Alexandre Alves de Oliveira, 31 anos, saiu de casa falando para a esposa sobre os riscos que corria. ?Ele dizia que ia trabalhar, mas não sabia se voltava porque ali é uma bomba, é uma fábrica muito velha, que não tem manutenção. Só pintam, soldam e fazem remendo?, conta a operadora de caixa Cleonice Maria da Silva, esposa de Alexandre. Submetido a cirurgias no braço e na perna, o operário foi transferido para o Hospital Arthur Ramos, às 10 horas de ontem. Comunidade pede retirada de indústria da localidade Após os momentos de terror do sábado à noite, o pânico voltou a tomar conta dos moradores do Pontal da Barra, na manhã de ontem. Professoras e alunos saíram correndo da creche Mestre Isaldino, com máscaras no rosto, após receber a notícia de um novo vazamento de cloro. As aulas foram suspensas. Mães desesperadas foram buscar os filhos. Idosos tiveram crises nervosas e crianças passaram mal. A rendeira Jandira Rosa afirma que a comunidade vai se organizar para exigir a retirada da fábrica de lá. A Associação de Moradores acionou um carro de som convocando todos os moradores para uma reunião de emergência, que aconteceria ontem à noite. ?Fazem tanto treinamento com a gente, tem alarme, microfone, caixa de som, mas na hora não funcionou nada, o alarme não tocou?, critica o empresário Marcelo Santana. IMA pede relatório à empresa | MAIKEL MARQUES - Repórter A direção do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) deu prazo de 48 horas para que a direção da Braskem apresente detalhado relatório explicando as causas do rompimento de tubulação na unidade de produção de cloro-soda, sábado à noite, razão pela qual cinco operários ficaram gravemente feridos e milhares de moradores entraram em pânico nos bairros ao redor da indústria. ?Houve falha em algum processo de produção porque a tubulação explodiu onde a empresa dizia não haver pressão. Agora, qual foi a falha? Não sabemos. Aguardamos justificativa o quanto antes. Demos prazo de 48 horas para que seja produzido relatório com as justificativas?, explicou à Gazeta de Alagoas o diretor-presidente do Instituto do Meio Ambiente (IMA), Adriano Augusto.

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