Cidades
Comunidade bloqueia BR e para tr�nsito
Rio Largo ? ?Gabriele, olha o ônibus!?. A última frase que berrou para a filha de 6 anos não sai da cabeça da mãe. ?Quando ela gritou, que eu olhei, só deu tempo de chamar por Deus, o ônibus já estava em cima da menina e passou com tudo?, conta a tia Márcia Vanessa. O expresso da São Geraldo arrastou Gabriele Bezerra da Silva por mais de trinta metros, na BR-104, em Rio Largo. Morte instantânea na tarde de domingo. Atropelamentos, mortes, protestos e balas de borracha marcaram o início da semana na região entre o Tabuleiro do Pinto e o acesso à Mata do Rolo. Pelas contas dos moradores da área, quinze pessoas já morreram por acidentes de trânsito, desde a duplicação da pista, há cerca de três anos. Nesse mesmo período, dezenas ficaram feridos em mais de cem atropelamentos. Bope usa força para dispersar moradores No início da noite de domingo, horas após a morte da menina, menos de uma hora de protesto provocou um congestionamento de quilômetros na pista. Os moradores exigiam a presença de representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (DNIT) para discutir a implantação de lombadas, semáforos, passarelas ou qualquer coisa que reduza a velocidade dos veículos. Ao invés de negociação, veio a repressão. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi acionado e dispersou o protesto na base da força bruta. Mulheres e crianças contam que passaram mal com os efeitos do gás lacrimogênio e spray de pimenta. ?Balearam duas pessoas com bala de borracha, uma na testa e uma no pé?, denuncia Douglas Alves dos Santos.