Cidades
Governo se nega a falar sobre greves
O governo reforçou a blindagem e afinou o discurso para descartar assuntos desagradáveis na área de segurança pública. Perguntas sobre a crise gerada pela nomeação de um militar para comandar as perícias, greve na polícia, concurso público e impasse na negociação salarial ficaram sem respostas, durante inauguração da base da Polícia Comunitária do Conjunto Selma Bandeira, na manhã de ontem. Mais uma crise de diverticulite afastou o governador Teotonio Vilela Filho de novas polêmicas, na véspera do ultimato para manter os 7% de aumento. A missão de propagandear apenas a agenda positiva e driblar quem insistia em questionar temas ?espinhosos? ficou a cargo do vice, José Thomaz Nonô, e do secretário de Defesa Social, coronel PM Dário Cesar. ?Não devo falar sobre isso, é um dia de festa, vamos tratar sobre a inauguração da polícia comunitária. Amanhã (hoje) eu posso falar sobre todos esses assuntos?, antecipou o secretário, logo na primeira resposta. Na segunda, o coronel disse não achar necessário convocar uma entrevista coletiva, nem mesmo para repercutir a recomendação do Conselho Estadual de Segurança de ?desnomear? o coronel PM Roberto Liberato para a direção do Centro de Perícias Forenses (CPFOR). Categorias já admitem aceitar 7% A negociação entre o governo e sindicalistas parece ter avançado com a discussão de novas propostas de reajuste para o funcionalismo estadual. Ontem, foi anunciado que as categorias já admitem aceitar os 7% de reajuste oferecidos há um mês, desde que o governo implante outros 7% nos salários no início do ano que vem. Com isso, a reposição nos vencimentos chegaria a 14%. O avanço se segue com a garantia de que todos os segmentos terão os salários reajustados anualmente com base no índice de crescimento da arrecadação do Estado. O próximo aumento seria concedido em maio de 2012, seguindo-se a outro em abril de 2013 e um terceiro em fevereiro de 2014. Essa proposta ecoou bem entre os militares, que além dos percentuais podem garantir a correção dos quinquênios a que a tropa tem direito. ?Está praticamente certa a aceitação pela PM?, disse, ontem à tarde, o presidente da Associação dos Oficiais Militares de Alagoas (Assomal), major PM Wellington Fragoso. Ele participou de reunião com o secretário de Gestão Público, Alexandre Lages, onde foram discutidos os detalhes da nova proposta negociada entre governo e representantes dos servidores. Servidores voltam a fazer protesto O prazo que o governo estabeleceu para que as lideranças do funcionalismo estadual respondam se aceitam ou não a contraproposta de 7% de reajuste salarial se esgotou ontem, sem mudanças na posição de entidades que representam policiais militares e civis, agentes penitenciários e pessoal da saúde e educação. Nenhum dirigente de sindicato ou associação de classe se mostrou preocupado com o prazo. Em resposta ao governo intensificaram a mobilização para o ato público que realizam hoje, a partir das 15h, na Praça Deodoro, no Centro. Os trabalhadores em Educação fazem assembleia às 14h, no ginásio do Clube Fênix. ?Isso de prazo não existe. O governo pode fazer como quiser. Nos interessa é que convoque as categorias para negociar com seriedade?, reagiu o vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sindpol/AL), Josimar Melo. Em greve há mais de 30 dias, os policiais estão sendo convocados a estar na praça junto com militares e agentes penitenciários.