Cidades
Motocicletas tomam conta das ruas
Em um intenso ?balé de zigue-zague?, que mais lembra a combinação da agulha com a linha em tecido, os motoqueiros que costuram entre carros, ônibus e caminhões parecem se multiplicar cada vez mais no emaranhado trânsito de Maceió. Sejam assistentes de obras, estudantes, motoboys, executivos, ou motociclistas que pilotam pela simples paixão pelas duas rodas, o crescente uso da motocicleta na capital alagoana vai além do conceito básico de meio de transporte e se torna um estilo de vida. A praticidade de levar o filho à escola, a agilidade de fazer uma entrega comercial, além da economia no orçamento com custos como combustível e manutenção de peças, são atrativos para milhares de condutores de diferentes classes sociais, sexo e faixa etária, que independentemente dos modelos de suas máquinas parecem viver em um ritmo a mais de 1000 cilindradas de potência. Mulheres enfrentam preconceito Os fatores que motivam a compra de uma moto são variados. Como um apanhador de sonhos, que ouve, analisa e interpreta os desejos e necessidades de cada pessoa que senta na cadeira do estande de vendas e diz: ?Eu quero comprar uma moto?, Pierre Marcelo de Almeida Góes, vendedor interno da Atlântica Motos há oito anos, revelou que um bom vendedor não é aquele que ?empurra? a motocicleta para os compradores. ?A gente analisa o perfil de cada cliente. Quando ele senta, a gente conversa sobre o dia a dia dele, e observo qual moto que melhor se encaixa para o que ele necessita?, disse. Segundo Pierre Marcelo, a maior parte da procura gira em torno da praticidade da moto no trânsito. ?A maioria das pessoas que tem moto é por necessidade. Eles procuram economia, pela facilidade de estacionar, e principalmente pela fácil locomoção no trânsito devido às deficiências dos transportes públicos da cidade?, revelou. Alheios ao perigo, motoboys se arriscam entre automóveis Apesar do surgimento de centenas de lojas revendedoras de motocicletas, não são todas que possuem seções especializadas em vendas de equipamentos e acessórios de seguranças como capacete, botas e jaquetas de couro. A própria lei de trânsito possui brechas quanto ao uso de alguns equipamentos. ?A lei permite que o motociclista dirija descalço, mas com sandálias abertas não pode. Nós incentivamos que eles usem botas e jaquetas, pois em um acidente entre moto e outro veículo, o motoqueiro sempre fica mais exposto?, defendeu a coordenadora de Pedagogia de Trânsito da Superintendência Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), Aldinete Dantas. *Sob supervisão da editoria de Cidades