Cidades
Passageiros sofrem em �nibus
Andar de ônibus em Maceió não é tarefa das mais fáceis. É preciso tempo e paciência, muita paciência. Na capital alagoana, usuários do transporte público são submetidos, diariamente, a condições que demonstram a falta de respeito com a qual as pessoas são tratadas, sendo obrigadas a esperar, por horas, pelo ônibus que vai levá-las ao trabalho, à escola, ao médico. Para não se atrasar, é preciso mesmo madrugar. Atualmente, seis empresas de ônibus são responsáveis por transportar cerca de oito milhões de pessoas por mês na capital, fazendo uso de aproximadamente 600 veículos. Para uns, a esperança de melhoria passa pela realização da primeira licitação do transporte público; para outros, essa realidade só tende a piorar. Adeilta Nascimento de Souza, 29 anos, é uma das pessoas que passam, todos os dias, pelo sacrifício de pegar ônibus. Moradora do conjunto Paulo Bandeira, no Benedito Bentes, ela precisa pegar dois veículos para chegar ao destino final, o bairro da Pajuçara, onde trabalha. O ônibus que pega não tem um horário fixo para passar e por isso ela precisa sair de casa às 4h30, ainda escuro, para conseguir chegar às 6h30 no local de trabalho. Ir sentada durante o percurso, nem pensar. Preço da passagem não condiz com o serviço A promotora de vendas Juliana Santos, 20 anos, que mora no conjunto Luiz Pedro há dez anos, parece já estar acostumada com a situação do transporte público de Maceió. Mesmo assim, mostra-se insatisfeita com o que tem de enfrentar sempre que chega a um ponto ou terminal de ônibus. Todos os dias, ela sai de casa às 6 horas para não se atrasar para o trabalho, que começa às 8 horas. Apesar das duas horas de antecedência, ela conta que é comum chegar atrasada. A solução para tantos problemas a jovem tem na ponta da língua: ?É só colocar mais ônibus para circular na cidade?, resume. Para Juliana, existe muita gente dependendo do transporte público na capital alagoana e poucos ônibus para corresponder a essa demanda. ?Eu moro aqui há dez anos e sempre foi assim. Os ônibus estão sempre cheios. Tem muita gente para pouco ônibus, a realidade é essa. A passagem só faz aumentar a cada dia, mas falta organização. Número de veículos é baixo para demanda Para o superintendente municipal de Transporte e Trânsito, José Pinto de Luna, os dois maiores problemas existentes hoje no transporte público coletivo de Maceió são a falta de ônibus e a má qualidade da frota, que é antiga e quebra a todo momento. Com a realização da licitação, ele acredita que esses problemas poderão ser resolvidos, mas a médio prazo. Ainda segundo Pinto de Luna, o transporte coletivo tem como uma de suas características a lotação, onde pessoas são transportadas sentadas e em pé. ?O ônibus é uma lotação e não prevê que só transporte pessoas sentadas. Sempre irá alguém em pé também. Se vai todo mundo sentado, então não estamos falando de transporte coletivo. Isso é uma coisa que acontece em cidades de todo o País, não é uma questão específica de Maceió. Com a licitação, esperamos resolver esses problemas, mas não a curto prazo, porque quem ganhar a licitação não vai começar a atuar da noite para o dia, não é assim que funciona?, afirma. Audiência pública discutirá o assunto As empresas vencedoras da licitação do transporte público de Maceió devem começar a operar no início de 2012. Pelo menos essa é a expectativa do superintendente municipal de Transporte e Trânsito, José Pinto de Luna. Segundo ele, apesar da sanção, pelo prefeito Cícero Almeida, da lei que regulamenta as concessões do serviço de transporte coletivo já ter acontecido, o processo seguirá um cronograma já estabelecido, com a realização de uma audiência pública, no dia 8 de julho, no auditório da Faculdade Integrada Tiradentes (Fits), às 8 horas. De acordo com a assessora especial de Transporte da SMTT e integrante de um grupo de trabalho criado para traçar um cronograma do processo licitatório, Josemee Lima, é somente depois da audiência pública que os detalhes relacionados, por exemplo, ao aumento da frota e das linhas de ônibus serão definidos. Por enquanto, nada é certo ainda.