Cidades
Cerca de 10 mil animais vivem nas ruas
Largados nas ruas, perambulando por restos de comida. É assim que vivem muitos cachorros, uma situação nada digna para os animais considerados os melhores amigos do homem. Os bichos enfrentam fome, frio, perversidade e, quando não morrem atropelados, padecem com doenças incuráveis. É o que se vê pelas ruas da capital, seja na periferia ou nas áreas nobres. Ninguém sabe explicar por que a população canina e também felina cresceu tanto. Mas, a principal referência está na falta de preparo e orientação sobre como criar um animal. Segundo a presidente do Núcleo de Educação Ambiental Francisco de Assis (Neafa), Cristiane Leite, estima-se que há soltos nas ruas cerca de 10 mil animais. ?Foi por causa da necessidade de se fazer alguma coisa que o Neafa surgiu. Atendemos a população realizando castrações e promovendo a adoção responsável dos animais, que só querem carinho e atenção. Mas as pessoas precisam saber que eles também envelhecem?, disse Cristiane. Dupla cuida de 170 bichos em casa Outras iniciativas com o intuito de ajudar os bichos surgem na cidade, mas mesmo representando uma ação de amor, acabam sendo também um risco aos próprios animais, por não se encaixarem no que diz a legislação. Foi pensando nisso que o CCZ acabou notificando, junto com a Vigilância Sanitária, uma residência localizada às margens da Avenida Menino Marcelo, defronte ao Estádio de Futebol Nelson Peixoto Feijó. Os responsáveis pelo local, Sirlene de Souza Ferreira, 43, e seu companheiro, Germínio dos Santos, 50, estão no meio de uma polêmica que mistura dedicação e amor pelos animais à falta de higiene e perigo à saúde. A dupla mantém de forma heroica 130 cães, de diferentes raças, além de 40 gatos. No terreno de 90m x 30m eles lutam para cuidar, alimentar e disponibilizar para a adoção animais rejeitados por seus donos. Vigilância pode lacrar sítio onde vivem cães e gatos Mas o amor incondicional que o casal tem pelos animais, agora, está em risco, devido à falta de condições adequadas, conforme constatou a Vigilância Sanitária. Depois de acionados pelo CCZ, os técnicos estiveram no local e, após uma inspeção, apontaram os problemas. O principal deles envolve a necessidade de cimentação de toda a área onde os animais convivem, além da construção de uma fossa com 20 metros para recolher dejetos e a água da lavagem do local. ?Temos um prazo para nos adequar de 10 meses. Depois eles irão voltar e avaliar tudo. Mas, até agora, não tive condições de fazer isso. Quanto à alimentação dos animais, é feita com a ajuda de 10 voluntários. Por dia são 25 kg de ração?, revelou Sirlene. Por isso, eles pedem ajuda para quem puder contribuir com a causa, a fim de levarem à frente o trabalho desenvolvido. Sirlene lembra que, ao invés de ser um problema, a iniciativa pode ser uma solução. ?Tiramos da rua animais que poderiam estar transmitindo doenças?.