Cidades
Motoristas ignoram Lei Seca
Quarta-feira (20) ? Eram quase oito horas da manhã, quando o intenso trânsito matinal da Avenida Deputado Humberto Mendes, uma das principais do bairro do Poço, foi interrompido por um acidente digno de filme (de terror), que chamou a atenção de quem passava e ficava engarrafado no congestionamento quilométrico. O causador da confusão foi Reinaldo Costa Neto, 28, que dirigia um carro de modelo Fiat Strada, quando se chocou contra três carros que estavam parados e estacionados e capotou deixando o veículo atravessado na pista. Visivelmente atordoado, Reinaldo tentou fugir do local do acidente, mas foi impedido por uma equipe de policiais militares. Era a primeira habilitação dele e o carro pertencia a uma empresa do ramo de mármores e granitos. O acusado teve a habilitação apreendida, recebeu uma multa por infração no trânsito e foi liberado em seguida. Por sorte, ninguém ficou ferido. * Sob supervisão da editoria de Cidades Penalidades mais severas não inibem infratores A alteração do Código de Trânsito Brasileiro, com a sanção da Lei Seca, teve a finalidade de ?estabelecer alcoolemia zero e de impor penalidades mais severas para o condutor que dirigir sob a influência do álcool?, segundo o artigo primeiro da referida lei. Ou seja, em tese, desde que essa lei entrou em vigor, o condutor não pode consumir nenhuma gota de álcool. O artigo 165 da referida lei considera infração gravíssima dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência. O infrator está sujeito a multa no valor de R$ 955, e suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além da retenção do veículo. O artigo 276 da mesma lei, reforça que a ?penalidade abrange para condutores que apresentem qualquer concentração de álcool por litro de sangue?, colhido por amostragem por meio de exame do etilômetro, exame de sangue, ou clínico (quando o agente de trânsito ou médico-perito atesta olhos vermelhos, estupor excessivo e falta de coordenação motora da parte do condutor). Juiz cobra rigor em fiscalização no trânsito Em 2009, a Polícia Rodoviária Federal de Alagoas (PRF-AL), registrou 84 casos de embriaguez ao volante nas rodovias federais. No ano seguinte, esse número reduziu para 79, e até o mês passado a PRF registrou 34 casos de motoristas embriagados, segundo dados oficiais. Segundo pesquisa realizada pelo Departamento de Trânsito de Alagoas (Detran), 79% das infrações no trânsito são cometidas por homens e, geralmente, os casos de infrações ou lesões corporais culposas causadas por embriaguez, estão acompanhados de outras violações, como excesso de velocidade, utilização do veículo para demonstrar ou exibir manobras perigosas, entre outras. ?O brasileiro ainda não sentiu o rigor da Lei Seca?, diz o juiz João Dirceu Soares Moraes, da 14ª Vara Criminal de Trânsito da Capital. Segundo ele, a lei reduziu os números de violência no trânsito, mas não significativamente. Para o magistrado, os resultados da Lei Seca em Alagoas estão abaixo do esperado. Volta para casa com segurança Segundo o titular da 14ª Vara Criminal de Trânsito, juiz João Dirceu, há uma questão cultural e estrutural envolvida na mistura do álcool com o volante. ?Considerando as legislações dos outros países, a Lei Seca no Brasil é muito rígida. O nosso problema é que somos o País do carnaval, o País do futebol, e parece ser inadmissível a pessoa ir a um barzinho, e não encontrar dezenas de pessoas bebendo?, diz o juiz. O magistrado aponta ainda a problemática dos transportes coletivos como um fator complicador. ?Temos uma deficiência enorme de transportes urbanos, em Maceió e no Brasil como um todo. Muitos não têm condições de andar de táxi, e existe a insegurança dos coletivos. Unido a isso, infelizmente, está no costume e na cultura do brasileiro sair de carro e beber?. Detran começa a investir em mídias sociais No mesmo bar, o grupo de meninas formado por Jackeline Lima, 26, Liziane Soares, 28, Amalina Calheiros, 30, e Laíse Cristina, 31, usava da mesma tática para se divertir, mas manter a responsabilidade e a segurança na volta para casa. Na ocasião, a ?sortuda? da vez era Jackeline, que apesar de ser a mais jovem do grupo demonstrou maturidade quando o assunto foi prudência no trânsito. ?Quando saímos juntas eu sempre maneiro, pois sei que isso é importante para mim e para as outras pessoas?, disse Jackeline. Para atingir o público jovem e adulto, que está cada vez mais antenado com o mundo da internet e das tecnologias, o Detran está investindo em campanhas focadas nas mídias sociais.