Cidades
Sindipetro diz que Petrobras maquia n�meros de acidentes
O diretor do Sindicato Unificado dos Trabalhadores Petroleiros, Petroquímicos, Químicos e Plásticos de Alagoas e Sergipe (Sindipetro), Adelino da Silva (foto), denunciou, ontem, a existência de falhas por parte da Petrobras no processo de prevenção de acidentes de trabalho com pessoal das inúmeras empresas contratadas pela empresa para prestação de serviços, sobretudo na áreas de operação em poços de petróleo. ?Em alguns casos, a empresa chega a maquiar dados de gente que sofreu acidente, mas figura como se estivesse de licença, para não comprometer a divulgação dos resultados de recorde de tempo sem acidentes?, denuncia o sindicalista. Segundo Adelino da Silva, uma das explicações para a ocorrência de acidentes com o pessoal em atividade na empresa é o processo de substituição de funcionários efetivos por pessoal terceirizado, que vem sendo desencadeado desde 1996 e que reduziu pela metade o número de efetivos em todo o País. ?A situação é a mesma em Alagoas. Tínhamos pelo menos 240 funcionários próprios. Com a política de remanejamento para outras regiões do País, ficamos com pouco mais de 144, além dos 380 terceirizados contratados ao longo desse período e responsáveis pela maioria dos acidentes ocorridos nos últimos anos?, explica Adelino da Silva. Ele diz ainda que a empresa costuma maquiar dados relativos ao registro de acidentes em São Miguel dos Campos e Pilar. ?Em muitos casos, a vítima de algum tipo de acidente figura como se estivesse de licença ou de folga. Dessa forma, não figuram nas estatísticas oficiais?, ressalta o sindicalista, que se queixa ainda da excessiva carga de trabalho imposta a funcionários próprios ou mesmo terceirizados. Empresa nega O gerente de operação da Petrobras em Alagoas, engenheiro Joaquim Cezario Neto, afirmou reconhecer que a maioria dos acidentes registrados pela empresa são de pequeno porte e dizem respeito sobretudo ao pessoal terceirizado, por duas razões: ?eles são a maioria hoje em atividade na empresa e ainda pelo fato de não terem a mesma experiência ou a qualificação dos funcionários da companhia?. Quanto à denúncia de maquiagem de dados, Joaquim Cezario afirma serem totalmente infundadas as declarações do sindicalista Adelino da Silva.?O que ele afirma ser maquiagem não procede e tem amparo legal na Legislação Trabalhista, que prevê a remoção do trabalhador vítima, por exemplo, de um pequeno corte, para um outro setor da empresa onde possa exercer outra função. No caso do acidente de reduzida gravidade e depois de inspeção médica, seu nome não precisa figurar como se fosse vítima de grande acidente. Ele pode ainda receber licença sem que isso configure manipulação de dados?, explicou o gerente de produção Joaquim Cezario. Em relação à suposta carga excessiva de trabalho, o gerente explicou que todos os funcionários próprios assinaram acordo coletivo que prevê compensação financeira quando houver necessidade de trabalho extraordinário ou mesmo nos feriados. ?Quanto aos terceirizados, cabe às empresas por eles responsáveis responder pelo assunto?, finaliza Joaquim Cezario, segundo o qual a empresa vem proporcionando ao pessoal terceirizado cursos de prevenção de acidentes nos mais variados setores de atuação da empresa.