Cidades
Letras cursivas podem desaparecer
Após atravessar milênios e já ter significado status social, demonstração de poder e de personalidade, a escrita e seus sistemas caligráficos voltam a ser alvo de debates no século 21, quando os tracejados do lápis e da caneta parecem estar sendo cada vez mais substituídos pelo digitar das teclas do computador. Querem acabar com a letra cursiva. O tradicional ensino do bê-á-bá sofrerá uma significativa mudança no Estado de Indiana, localizado na região Centro-Oeste dos Estados Unidos. No último mês, o governo local adotou uma medida que torna opcional o ensino das letras cursivas ou letras de mão ? aquelas ?grudadinhas? umas nas outras ?, no seu sistema educacional. Segundo os defensores dessa lei, que consideram a letra de mão um sistema ultrapassado, é mais importante que o aluno esteja focado no aprendizado e na absorção do conteúdo ensinado do que na preocupação com uma letra bonita e bem desenhada. * Sob supervisão da editoria de Cidades Educadores falam de prejuízos e benefícios Aplicada e atenciosa na hora dos exercícios, Beatriz também frequenta aulas de computação e revela sua preferência na hora de escrever. ?Eu gosto de computador, mas prefiro escrever com lápis e papel, porque às vezes eu não consigo colocar os acentos nas palavras do computador?, contou. A professora de Português de Beatriz, Rosângela do Amaral, opina: ?É muito cedo para abolir o ensino da letra cursiva, principalmente em escolas públicas, onde a questão estrutural é bem peculiar. A realidade dos Estados Unidos é outra?, disse. Já Bruna Maia, professora de computação da escola, demonstrou não se prender ao tipo de letra do aluno. ?Existem outras prioridades. O mundo está cada vez mais se digitalizando e é importante a criança aprender a digitar no computador?, disse. ?Uma atividade não influencia a outra. Independente do tipo de letra utilizada, o que importa é que seja uma letra legível?, completou a professora Bruna Maia.