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Denunciado exterm�nio de crian�as em Macei�

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WELLINGTON SANTOS Intitulado ?Ruas lavadas com sangue?, um levantamento histórico e ainda não concluído sobre os assassinatos de meninos de rua, em Maceió, revela que 106 crianças e adolescentes foram assassinados ou estão desaparecidos. A pesquisa, trabalho independente feito pelo educador Átila Correia em relação aos últimos doze anos, teve como base depoimentos ?in loco? de meninos que foram testemunhas do desaparecimento ou de assassinatos dos amigos que ficavam ou ?moravam? na rua. A pesquisa traz outro dado importante. Segundo ainda os depoimentos, policiais estariam envolvidos na maioria dos extermínios dos menores, inclusive com relatos de violência dentro de delegacias. O documento deverá ficar pronto em novembro. A maioria dos meninos tem entre 15 e 18 anos. Os assassinatos com arma de fogo aparecem com 46% dos casos; desaparecidos 26%, crimes com arma branca 17%; carbonizados 4%, e atropelamentos propositais, apedrejamentos e degolas o restante. Medo ?As pessoas que são moderadas na proclamação da verdade proclamam apenas a meia verdade, deixando a outra metade velada, com medo do que o mundo dirá?. Citando essas palavras do escritor oriental Gibran, Átila Correia, autor da pesquisa, diz que é um trabalho que ainda não está concluído, mas que vem para quebrar o silêncio e o medo, porque existem apenas meias verdades e algumas estatísticas oficiais. ?Sei do risco que corro ao fazer esse tipo de trabalho e divulgá-lo, mas alguém tinha que começar. São depoimentos e fatos que as autoridades e o poder público não detêm e esse outro lado é revelado agora. O grande mérito desse documento são os depoimentos dos meninos que viveram, foram testemunhas de fatos, de palavras e violência, muita violência. E isso dá medo, muito medo?, atesta Átila. Em razão disso, o educador, que milita no Movimento Nacional de Meninos de Rua, já contactou e denunciou o fato a vários órgõs internacionais e ONGs para ?se resguardar, caso alguma coisa aconteça comigo?. Triunfo Ele destaca que para esse tipo de trabalho ser possível, com depoimento dos meninos, contou com um trunfo: durante sete meses desvinculou-se do movimento para se dedicar e ouvi-los, alicerçado em muita confiança, amizade e reciprocidade dos adolescentes. ?Só foi possível fazer esse trabalho mediante o grau de afetividade que foi criado entre eu e eles. Confiança para que pudessem me contar que existe um grupo de extermínio, porque eles têm muito medo. Em muitos casos há depoimentos em que policiais aparecem citados. O fato de serem marginalizados por muitos evidentemente depreciam o que dizem. Mas, a partir deste trabalho, passei a conhecer não o menino da rua, mas uma pessoa que tem história, uma identidade, um nome, uma criança?, diz. O levantamento do educador é um compilamento de 12 anos de histórias testemunhadas por garotos que tiveram amigos presos, torturados, mortos e desaparecidos. ?A questão da violência sempre me incomodou muito. É um a relação covarde. Para a socidedade eles são sempres as causas. E não é bem assim quando a gente pára e conversa como um amigo. Por isso foi fundamental a relação de amizade para que eles perdessem o medo de relatar?. O que é triste, explica Átila, é ?saber que policiais estão envolvidos, ou seja, na própria máquina de segurança do governo existem criminosos, quando é dever do Estado e do município zelar pelas crianças jogadas ao relento, com problemas de ordem familiar, desemprego dos pais e toda ordem de problemas. E a polícia comete essas atrocidades. Querem acabar com os efeitos e não as causas?, diz. Baseado nisso, o documento traz depoimentos surpreendentes de alguns meninos como, por exemplo: (...?) Eles não botam a mão em cima desses bandidos fortes!?; ?A gente vive no meio da rua é porque não tem apoio (...?). ?Isso traz à tona que eles têm uma certa consciência do descaso social das autoridades? ? afirma o educador. ?O trabalho vem mostrar que o governo tem que investir em casas-lares, escolas, em projetos que visem ao lazer e ao esporte. Eles são cidadãos, são crianças também como outras, existe um estatuto que os protege. É lei? - enfatiza Átila. Extermínio Átila constata no levantamento que existe todo um aparato com características de grupo de extermínio. ?Em um dos depoimentos, a testemunha revela que o amigo foi morto com arma do tipo 9 milímetros, espingarda 12. Há também em vários relatos o uso de um veículo Gol, sem placas e com vidro fumê. Esse carro aparece em diferentes relatos e épocas diferentes?. Relatos As histórias também são semelhantes na forma de esses possíveis grupos se expressarem. (?...) Vocês pensam que vão ver ele. Vocês não vão ver ele mais não! Podem procurar outro amigo, esse aqui vocês não vão ver mais não (...?). Essas palavras foram ditas, segundo um dos depoimentos, a Robô Copy em 1997, quando foi jogado dentro do tal Gol.. O garoto nunca mais apareceu. (?...)Fabrício foi morto de atropelamento de carro, de propósito.. Jogaram o carro em cima dele. Não quero identificar porque a proximidade é mais ou menos por aqui (...?), relato de uma testemunha do suposto atropelamento proposital que não quis se identificar, com medo. Outro caso com o mesmo Gol. ?Pode procurar outro namorado, porque esse aqui você não vai ver mais não! Depoimento de E.J.M., na época namorada de S.S.. Felizmente esse apareceu numa delegacia. (?...) quando ver desaparecer dois, três menores de rua, isso aí a polícia tá (sic) envolvida no meio (...?), relato de testemunha. Outro caso que chama atenção, segundo o documento, envolvendo a polícia: (?...) A Jaqueline desapareceu quando foi colocada na viatura, na Roubos e Furtos, e nunca mais foi vista. A Bonita (sic), a finada Jarbione e o Inha, que era marido da Bonita, foram tudo (sic) arrastado de dentro da delegacia (...?) Paulinho era um menino de 10 anos, que morava em Rio Largo, mas ficava nas ruas. Teve a cabeça separada do corpo. Ele estava na Praça do Pirulito em 1999, ?(...)aí veio uns caras (sic) e pegou o pivetinho e cortou o pescoço dele e colocaro (sic) a cabeça numa sacola plástica, quando foi de madrugada encontraro (sic) o corpo do menino (...?), relato de meninos, amigos do Paulinho. Este caso foi acompanhado por Átila, que recebeu a notícia e foi ao IML ver os despojos do ex-amigo, criança, menino de rua.

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