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Pacientes se arriscam nas estradas em AL

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Porto Calvo ? Com uma gravidez considerada de risco, a adolescente Laidiane Maria da Silva, 16 anos, deixou o Hospital São Sebastião, em Porto Calvo, na tarde da última quinta-feira, com destino à Maternidade Santa Mônica, em Maceió, para ser submetida a um parto cesariano. Na mesma ambulância cidadã, seguia a aposentada Ernestina Rodrigues da Silva, 80. Com suspeita de enfisema pulmonar, a senhora necessitava de um raio-X do tórax. Com idades e diagnósticos distintos, o que as obrigou a viajar mais de 100 km até a capital alagoana foi um problema crônico que acomete toda a região Norte do Estado: a falta de um centro cirúrgico. Não há sequer uma sala de raio-X funcionando. Apenas partos normais são realizados nas maternidades dos municípios setentrionais alagoanos. Outros casos que necessitam de exames, como uma mamografia, por exemplo, também são encaminhados a Maceió ou até mesmo para Recife, em Pernambuco, por falta de estrutura dos hospitais e centros médicos municipais. Sem a efetivação do processo de regionalização do atendimento à saúde, entra em cena a ?ambulancioterapia? que, de paliativo, tornou-se de uso contínuo no interior do Estado. Centro cirúrgico não foi instalado Porto Calvo ? Dois empreendimentos que consolidariam a regionalização do atendimento à saúde no Norte de Alagoas estão empacados. Anunciada em 2009, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogi não saiu do chão e o Centro Cirúrgico do Hospital Municipal São Sebastião, em Porto Calvo, que seria referência para toda a região, ainda não foi instalado. Diretores e secretários municipais de Saúde não têm dúvida de que, com a regionalização, o atendimento à população seria otimizado, reduzindo custos com o deslocamento de pessoas à capital e elevando a qualidade na prestação dos serviços de saúde aos usuários. O Hospital São Sebastião, em Porto Calvo, foi escolhido pelo governo do Estado para ser referência no atendimento às populações dos municípios da região Norte de Alagoas. Para isso, o governador Teotonio Vilela (PSDB) anunciou, no dia 12 de fevereiro de 2010, durante inauguração da base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a entrega dos equipamentos do centro cirúrgico daquela unidade. Na oportunidade, o então secretário estadual de Saúde, Herbert Motta, acompanhado do prefeito de Porto Calvo, Carlos Eurico Leão e Lima (PMDB), o ?Kaika?, visitou as dependências do Hospital São Sebastião. Motta anunciou que, dentro de 45 dias, seria inaugurado o centro cirúrgico. SC Obras de UPA ficam apenas na promessa Maragogi ? Em agosto do ano passado, em meio à inauguração da base descentralizada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em Maragogi, a cena se repetiu. O então secretário estadual de Saúde, Herbert Motta, assinava a ordem de serviço para iniciar a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que seria instalada no município, considerado o segundo maior polo receptor de turistas do Estado. Um ano depois, o terreno cedido pela prefeitura, à margem da AL-101 Norte, permanece vazio, servindo apenas de pasto para animais. ?Nosso maior problema é o custeio. Conforme o projeto, o Ministério da Saúde entraria com R$ 100 mil mensais e prefeitura e Estado com R$ 50 mil cada um para manter o funcionamento da UPA. Mas não sabemos se o custo será de R$ 200 mil. E se for mais, quem irá arcar??, indaga a secretária municipal de Saúde, Lucineide Paulo, que pretende se reunir com técnicos da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) para debater a questão. SC Matriz do Camaragibe quer ser referência na região Norte Matriz do Camaragibe ? Com recursos federais da ordem de R$ 420 mil, a Secretaria Municipal de Saúde de Matriz do Camaragibe está finalizando a reforma do Hospital Municipal Doutor Luiz Arruda, dotado de 27 leitos. Na próxima semana, a unidade já contará com o equipamento de raio-X funcionando. O centro cirúrgico também está sendo montado com vistas a transformar o hospital em referência para os demais municípios da área Norte do Estado. ?Iremos nos reunir com os secretários municipais e apresentaremos proposta de pactuarmos o hospital, recebendo pacientes de outras cidades e com uma compensação financeira de todos os envolvidos. Queremos fazer isso através de um termo de compromisso?, revelou a secretária municipal de Matriz do Camaragibe, Madalena Ramalho. Ela lembra que toda a parte física do hospital já foi reformada e a obra inaugurada em abril. SC Grávida se nega a ir a Maceió e morre São Luís do Quitunde ? A Gazeta de Alagoas desembarcou em São Luís do Quitunde, na última quarta-feira, com a notícia de que três pacientes haviam entrado em óbito no Hospital Municipal José Augusto. O movimento naquela manhã era frenético: um vaivém de pacientes e profissionais de saúde pelos corredores; à porta não paravam de chegar e de sair ambulâncias. ?Tem dia que é assim, cheio, mas tem dia que é uma tranquilidade?, ponderou a secretária municipal de Saúde, Lúcia Santos do Amor Divino. Enquanto as ambulâncias despejavam pacientes ali, um homem empurrava para dentro do necrotério do hospital um caixão. A urna funerária serviria de abrigo eterno para o corpo da dona de casa Clemilda Lopes da Silva, 27 anos, grávida de seis meses, que faleceu após receber encaminhamento e se negar a viajar a Maceió. Não houve também como salvar o feto. Alagoas teria carência de quase 2 mil leitos | BLEINE OLIVEIRA - Repórter A realidade de corredores lotados de pacientes espremidos em macas e mesmo deitados no chão tende a ser substituída por um atendimento mais humanizado e digno no Hospital Geral do Estado (HGE), o maior hospital público de Alagoas. A expectativa dos gestores da rede de saúde pública é que, até o fim deste ano, o HGE cumpra de fato sua função, que é prestar atendimento de urgência e emergência com eficiência aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, entretanto, será preciso resolver o maior problema do hospital: a superlotação. Causa de queixas e reclamações frequentes, a superlotação é transtorno para usuários e funcionários do HGE, além de gerar uma visão negativa da unidade. Com mais pacientes do que leitos disponíveis, mesmo com a ampliação e reforma executadas há quase três anos, aquela unidade não sai, como se diz popularmente, da boca do povo, que mais critica do que reconhece sua importância. População da capital superlota o HGE Com quase um milhão de habitantes, Maceió é responsável por quase 80% da superlotação registrada no HGE. Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) mostram que é da capital o maior número de pacientes que chegam ao Hospital Geral. Até julho último, 54.899 moradores de Maceió foram atendidos na emergência do Hospital Geral. O número corresponde a 78,26% dos 70.015 atendimentos realizados naquela unidade. O segundo município de onde o HGE recebeu mais pacientes de janeiro a julho deste ano foi São Luís do Quitunde, de onde vieram 530 moradores (0,76%). Nesse mesmo período, a população do município de Olho d?Água do Casado, a 261 km de Maceió, enviou apenas um paciente para a maior unidade de emergência da capital, número que corresponde a 0,00% do total de atendimentos. A leitura simplista desses números indica que o HGE é um hospital destinado à população da capital, mas é indicativo também da deficiência na rede pública municipal, responsável pela gestão das verbas do Sistema Único de Saúde (SUS). Existem cerca de 124 estabelecimentos de saúde em Maceió. Destes, 37 são públicos e 87 são privados. Dos 37 hospitais públicos, 9 têm internação, enquanto a rede privada tem 29 unidades com internação. São cerca de 3.698 leitos, dos quais 3.117 são custeados com dinheiro do SUS. BO Parceria deve melhorar serviços Ao editar a Política Nacional de Atenção Integral às Urgências, o Ministério da Saúde (MS) entendeu o serviço de urgência e emergência como importante componente da assistência à saúde. Os técnicos ministeriais consideraram que há uma crescente demanda devido ao ?aumento do número de acidentes e da violência urbana?, mas também que a rede assistencial é insuficiente e desestruturada. Tentando superar as deficiências identificadas, o MS editou a Portaria GM 2048 para, em parceria com Estados e municípios, implantar um processo de aperfeiçoamento do atendimento às urgências e emergências no País. Entende o MS que esse objetivo será alcançado com a implantação de Sistemas Estaduais de Referência Hospitalar. De modo mais simples, se pode dizer que o governo federal quer que a rede primária e os serviços de urgência pré-hospitalar tenham capacidade para atender a população para que somente os casos graves cheguem, no caso de Alagoas, ao HGE. Como não é o que está acontecendo em Maceió, a área Azul daquela unidade continua sendo a porta em que a população bate por saber que vai encontrar atendimento. Em função dessa alta demanda, torna-se a área mais crítica do hospital. Ali há excesso de pacientes. ?Recebemos até pessoas que têm plano de saúde?, revela o diretor médico. BO Municípios dependem de apoio Em defesa do município e da gestão, o secretário municipal de Saúde, Adeilson Loureiro, diz que a capital é referência para dois terços da população do Estado, ficando com 60% das internações quando, por sua população de 938 mil habitantes, deveria arcar com 40% do total de usuários internados. Mas, a exemplo do superintendente de Atenção à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Vanilo Soares, o secretário de Saúde de Maceió prefere não polemizar, buscar culpados. O objetivo maior do gestor, ressalta ele, é assegurar à população assistência de qualidade. Neste sentido, Adeilson Loureiro também aponta a criação das unidades distritais como medida capaz de reduzir o volume de pacientes que se destinam ao Hospital Geral do Estado (HGE). E traz uma novidade: a ampliação da cobertura do Programa de Saúde da Família (PSF), cuja nomenclatura mudou para Estratégia de Saúde da Família (ESF). A nova nomenclatura é explicada pelo novo desenho do programa, cujas estratégias de ação passam a ser definidas com base na realidade das famílias. A Prefeitura enviou ao Conselho Municipal de Saúde proposta para ampliar em mais 8 equipes esse atendimento, passando dos atuais 26% para 40% da população. ?Já estamos com quatro equipes em treinamento?, entusiasma-se o secretário. BO

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