Cidades
AL investe em alfabetiza��o emocional
Diante de olhares desconfiados de mães e crianças do Conjunto Carminha, no Complexo Benedito Bentes, na tarde da última quinta-feira, o professor João Roberto Araújo lançou a semente: o desafio agora é fazê-la germinar no solo seco e esturricado onde a erva daninha da violência, até agora, não deixou nada brotar. Com a autoridade de quem já promoveu intervenções em mais de quinhentas escolas Brasil afora, algumas delas no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, o criador do método Liga pela Paz quer promover o que ele chama de alfabetização emocional para os meninos de uma das regiões mais violentas de Maceió. Só para lembrar: foi no Conjunto Carminha que uma dona de casa foi arrancada de dentro de casa, onde dormia com o marido e os filhos, e esquartejada no meio da rua, por traficantes que se diziam dedurados por ela. O Programa Educação Pela Paz, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Promoção da Paz, está sendo introduzido pela primeira vez em uma escola da capital. É mais uma ação do poder público, que tenta pacificar o Carminha desde o episódio do assassinato da dona de casa. O local escolhido foi a Escola Municipal Professor Petrônio Viana. Marcada pela agressividade, escola quer mudar realidade Criados em um ambiente onde a violência predomina e os jovens traficantes armados são considerados ídolos por muitas crianças e adolescentes, os alunos da Escola Municipal Professor Petrônio Viana acabam, naturalmente, levando para dentro do ambiente escolar o clima pesado com o qual convivem, no Conjunto Carminha, no Benedito Bentes, uma das áreas mais violentas da capital alagoana. ?Infelizmente, nossas crianças são agressivas. Algumas, quando são perguntadas sobre o que gostariam de ser quando crescer, dizem: ?Eu quero ser bandido?. Isso é triste e muito preocupante?, diz a diretora da Escola Municipal Professor Petrônio Viana, Roxana Araújo da Silva, que está há oito anos à frente da unidade de ensino. Antes mesmo do episódio ocorrido em julho passado, em que a dona de casa Maria de Lourdes Farias de Melo, de 27 anos, foi esquartejada por traficantes, outras cenas chocantes já faziam sucesso entre alunos, nos pátios e corredores da escola. Resultados começam a aparecer Cerca de 18 mil alunos de escolas de dezesseis municípios alagoanos já foram introduzidos no sistema de educação que pretende trazer para o ambiente escolar a cultura da paz, segundo o diretor de Educação Para a Paz nas Escolas, da Secretaria de Estado de promoção da Paz, Fábio Rogério dos Santos. Há a perspectiva de que, no próximo ano, suba para trinta o número de escolas contempladas. De acordo com ele, no ano passado, Delmiro Gouveia, Boca da Mata e Santana do Ipanema, cidades com altos índices de violência, iniciaram o Programa Educação Pela Paz nas Escolas. Os resultados estão começando a aparecer. ?Em Boca da Mata, já é possível perceber uma mudança. Por meio dos professores, nós ficamos sabendo que os alunos já estão absorvendo os ensinamentos dessa cultura da paz e já levam para dentro de casa alguns dos conceitos que são trabalhados dentro da escola?, diz Fábio Rogério.