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“Feira do Rato” d� lugar a canteiro

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O barulho do apito do trem, junto com o vai e vem de pessoas, que mais lembrava um formigueiro humano, não existe mais. A necessidade de se modernizar e revitalizar o Centro de Maceió, por conta da presença do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), mudou a feição de onde funcionou por 50 anos a Feira do Passarinho, a popular ?Feira do Rato?. Onde existia um comércio intenso, misturado ao mau cheiro e ao aspecto de favela, agora é um gigantesco canteiro de obras. Da antiga cracolândia que crescia à luz do dia, às margens do trilho, em meio a focos de tráfico e lado a lado com a prostituição infantil e o comércio clandestino de armas, há tapumes de madeira. A imagem dos produtos na linha do trem, entrecortada entre uma passagem e outra, agora virou história contada em centenas de fotos e documentários dos últimos suspiros do lugar. Para os comerciantes honestos que sempre viveram dos negócios informais, incluindo os cem deles que devem sair na terceira etapa da mudança, resta uma saudade, associada à necessidade permanente da sobrevivência. Feira era reduto de boêmios no passado O misto de cultura e simplicidade, aos poucos, foi perdendo seu romantismo. Os mais velhos lembram que tomar um aperitivo e comer pratos regionais eram programa da classe média e dos boêmios, na Feira do Passarinho, ainda ébrios das noitadas. ?Quando existiam os bingos ou os bailes do Clube Português, que também derrubaram, o pessoal vinha de manhãzinha por aqui. Era aqui que tiravam a ressaca e rebatiam tomando outra?, contou Pedro Lima, 71 anos, que se confessou um ex-comerciante e, agora, apenas observador do que sobrou da ?Feira do Rato?. ?É muita história, meu filho. Vai faltar papel para você contar?, provocou, sem adiantar mais detalhes e se afastar rindo sozinho. Outro que fala com saudade do tempo que ganhava dinheiro é Cícero Cordeiro Gomes, 65 anos. Hoje, para completar a renda, diz que faz ?viração?, o popular bico, de carpinteiro. Secretário anuncia vantagens a comerciante Se para os comerciantes as mudanças já são uma grata novidade, para o secretário Municipal do Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária, Arnóbio Cavalcante, é o primeiro passo do que está planejado para o segmento. A principal novidade foi fechada, esta semana, na sequência dos investimentos anunciados pela presidente Dilma Rousseff. ?Anunciaremos, no próximo dia 9, o Projeto Crescer que prevê investimentos para eles do microcrédito. Isso foi fechado hoje (sexta-feira). Vai ser importante para que tenham recursos?, revelou Arnóbio. Outra atividade que está prevista é o Mercado Cidadão, que será a oportunidade de os comerciantes retirarem documentos. ?Muitos estão sem documentos, e pelo que identificamos por isso estão fora dos programas sociais do governo e, às vezes ficam endividados com agiotas por não puderem adquirir linhas nas instituições oficiais?, disse. Vendedores estão em fase de adaptação Diante de tanta incerteza, críticas e mau presságio, a Gazeta foi até a antiga Central de Abastecimento (Ceasa), agora batizada de ?Nova Feira do Passarinho? e encontrou comerciantes em fase de adaptação. Era o turno da tarde quando chegamos ao grande salão de vendas, onde estão as bancas de quem antes vivia pelos trilhos e pontos improvisados. As ruas, todas com nomes de espécies de pássaros, são de alumínio galvanizado. Num ambiente de limpeza, rede elétrica, segurança e banheiros, ainda há uma ?Praça de Alimentação? e um palco para apresentações culturais. Com toda essa estrutura, ao invés de queixas, quem já está instalado procura se adaptar. A única cobrança é quanto à divulgação midiática, com propagandas e matérias de como está o funcionamento da nova feira.

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