loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

Cidades

“Galeras” espalham o terror

Ouvir
Compartilhar

Provocar, ameaçar, espancar e matar. Não necessariamente nessa ordem, meninos e meninas aprendem cedo a conjugar os verbos que regem o universo criminoso das ?galeras? de bairros de Maceió. Sob a égide de duas facções de torcidas organizadas dos dois clubes de maior tradição em Alagoas, essas gangues espalham o terror e promovem a violência na periferia, em bairros nobres, campos de futebol, shows, e até em shoppings centers, cujas batalhas são marcadas por meio de site de relacionamento na internet. Encravadas nas zonas de conflito desses grupos de jovens transgressores cada vez mais numerosos, as escolas, assim como as áreas no entorno delas, terminam se transformando em ?campos de batalha?. As diferenças e rixas não são resolvidas em apenas um confronto. O ódio guardado após um espancamento ou uma humilhação vai ser o combustível para os próximos ataques, que se sucedem a cada reencontro entre as gangues rivais. Na maioria das vezes, somente com sangue é que a ?honra manchada? pode ser lavada. ?Se eu for pega pela ?Mancha?, vou morrer? Sob a condição de ser preservada a identidade da mãe e a imagem da filha de apenas 12 anos, Fernando da Silva apresentou à reportagem um dos casos que chegaram ao Conselho Tutelar da 7ª Região. A mãe trabalha em um hotel da orla de Maceió. É garçonete e há dois anos luta para tentar ?recuperar? a filha. A menina estuda em uma escola no Tabuleiro do Martins. Ou melhor, estudava. Até o momento em que se envolveu com uma ?galera? ligada à torcida Comando Vermelho. Tinha só dez anos quando foi ao primeiro jogo de futebol, no Trapichão. Nesse dia viu de tudo: provocações, pancadaria e o uso de drogas. ?É normal a galera fumar maconha embaixo do bandeirão e sem o bandeirão também. Os meninos cantam assim: ?Ei, polícia, maconha é uma delícia!??, conta a menina, na maior tranquilidade. Uma das melhores amigas dela tem 14 anos e atende pelo apelido de ?Cheira Bright?. Diante do olhar assustado da mãe, ela explica a alcunha da jovem: ?É porque ela gosta muito de cocaína, só vive cheirando?, diz a garota, que está sendo atendida pelo Conselho Tutelar. ?O que mais me deixa assustado é que estamos diante de uma criança. Juiz cobra responsabilidades O juiz titular da Vara da Infância e da Juventude, Fernando Tourinho de Omena Souza, acompanha com preocupação os processos envolvendo confusões provocadas pelas chamadas ?galeras?. ?Infelizmente, tenho recebido muitos casos envolvendo galeras?, disse o magistrado. Para ele, o caso dos jovens envolvidos em ?gangues?, seja de bairros ou ligadas a torcidas, deve ser enfrentado por meio de três frentes: a família, a escola e o Estado. ?Eu estou convencido de que o primeiro problema começa dentro de casa. Infelizmente, os pais não estão procurando saber o que está acontecendo com seus filhos. Nesse mundo globalizado em que a mãe e o pai trabalham e passam o dia fora de casa, os pais não estão dando qualidade ao pouco tempo que eles têm com seus filhos?, diz Fernando Tourinho. Escolas adotam medidas para evitar brigas Acuadas pela ação violenta de galeras de bairro e grupos ligados a torcidas organizadas, algumas escolas adotaram medidas que começam a apresentar resultados positivos. Um caso concreto está na Escola Estadual Ovídio Edgar de Albuquerque, no Tabuleiro do Martins. Localizada em uma área crítica, onde assalto é coisa corriqueira, há três anos a escola vivia às voltas com confusões e pancadaria entre alunos. O motivo era quase sempre o confronto entre as temidas galeras da Mancha Azul e da Comando Vermelho. ?Quando assumi a direção da escola, em 2008, a situação aqui era muito complicada?, conta a diretora, Marilucia Correia. Segundo ela, para tentar mudar a situação, teve que adotar medidas e criar um regimento escolar para ser seguido à risca pelos alunos.

Relacionadas