Cidades
Derrubada de �rvores gera pol�mica
Uma proposta inusitada apresentada na Assembleia Legislativa de Alagoas pode provocar um debate ambientalista intenso. Por indicação do deputado Joãozinho Pereira (PSDB), nosso profícuo Legislativo está sugerindo a remoção das dezenas de árvores que margeiam o trecho da rodovia AL-220, entre os municípios de São Miguel dos Campos e Campo Alegre, com 50 quilômetros de extensão. A justificativa para tão radical proposta, em pleno início da primavera, é o número de acidentes, a maioria com vítimas fatais, que ali ocorrem. O mais recente, uma tragédia que vitimou quatro pessoas da mesma família, foi registrado na noite da quinta-feira, dia 15, véspera do feriado de Emancipação Política de Alagoas. O empresário Leandro Alcântara Silva, 28 anos, proprietário da Transportadora Transgel, a esposa, Laurita Nogueira e Silva Alcântara, 26 anos, que estava grávida, e seus avós, Maria Dinaura de Alcântara, 72 anos, e José Aluísio Alcântara, 75 anos, estavam indo de Arapiraca para a festa de casamento de um parente em Maceió. A cerimônia, que só começaria com a chegada deles, foi dolorosamente adiada. Ambientalista é contrário à proposta O deputado Joãozinho Pereira não é dos primeiros a apontar as árvores, plantadas logo após a conclusão do trecho entre a Barra de São Miguel e Arapiraca, como causa de morte nos acidentes ali registrados. A própria Usina Porto Rico, que fez o plantio das árvores por volta de 1985, já solicitou sua remoção e replantio numa área mais distante do leito da rodovia. A razão seria a morte de 12 trabalhadores em acidentes no trecho, cuja geografia ambiental está sendo questionada. O diretor de operações do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/AL), engenheiro civil Sérgio Cavalcante, lembra ter tomado conhecimento de um processo de iniciativa da direção da Porto Rico, solicitando a remoção daquelas sombreiras, encaminhado à promotoria pública do município de Campo Alegre. Com cerca de 26 anos de existência, as imensas e frondosas árvores formam um agradável corredor, ?abraçando? quem transita por ali. AL-220 é 1º lugar em vítimas fatais As estatísticas de acidentes aparecem na maior parte do discurso que o deputado Joãozinho Pereira faz em defesa de sua proposta para remoção das árvores na rodovia AL-220. Ele aproveitou a Semana Nacional de Trânsito, que ocorre todos os anos no período que vai de 18 a 23 de setembro, para dirigir o foco de sua atuação para aquele corredor natural. ?Dados do Detran/AL mostram que a AL-220 é a segunda rodovia mais violenta do Estado, no entanto, é a primeira colocada em vítimas fatais?, disse, em pronunciamento na Assembleia Legislativa. O parlamentar trouxe, ainda, dados nacionais para fundamentar seu discurso. Baseado, segundo disse, em estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), Pereira revelou que são registrados ?mais de 500 óbitos por dia? no mundo tendo como causa os acidentes de trânsito. No Brasil, relatou, ?mais de 35 mil pessoas morrem nas estradas e ruas todo ano, segundo o Ministério da Saúde?. Decisão exige análise técnica e jurídica do IMA/AL ?Os riscos existem, mas além de considerar as árvores, temos que pensar em outras causas para as ocorrências ali?, diz o diretor de operações do DER, Sérgio Alcântara, diante da proposta que o deputado pede que seja encaminhada também ao Departamento de Estradas de Rodagem. O engenheiro explica que ações dessa natureza exigem manifestação do Instituto do Meio Ambiente (IMA/AL), legalmente instado a dar parecer sobre questões ambientais. Até mesmo a poda de vegetação às margens das estradas é antecedida de avaliação do instituto, ressalta Alcântara. Para ele, a proposta de remoção das árvores na AL-220 ou em qualquer outra rodovia deverá provocar intenso debate público. A grita começa com a manifestação de seu colega Roberto Lôbo, que antecipa posição contrária à derrubada do corredor natural naquela rodovia sem que antes sejam feitos estudos e análises em busca de outras alternativas para evitar esses acidentes.