Cidades
M�dicos param nesta segunda
A partir desta segunda-feira, cerca de 2 milhões de pessoas de 101 municípios alagoanos vão ficar sem atendimento médico do Programa Saúde da Família (PSF). Depois que o Ministério Público Federal (MPF) passou a exigir dos municípios o cumprimento da carga horária de 40 horas semanais para os médicos do PSF, os 658 médicos do programa em Alagoas decidiram fazer greve para exigir o que eles consideram um pagamento justo pela carga horária exigida. A decisão de paralisar o atendimento foi tomada em assembleia realizada na noite da última terça-feira (27). A categoria também decidiu pela demissão em massa, caso não haja negociação com os municípios. ?A greve é para salvar o PSF. Porque não queremos uma debandada dos profissionais médicos que fazem parte das equipes, o que significaria o fim do programa em Alagoas?, declarou o presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas (Sinmed), Wellington Galvão. Carga horária exigida pelo MPF abriu crise no setor A crise que vem se acumulando no PSF ganhou dimensões maiores depois que o Ministério Público Federal (MPF) determinou o cumprimento, pelos médicos do PSF, da carga horária de 40 horas semanais. O problema é que os profissionais se queixam do salário que ganham ? uma média de R$ 5 mil ? e, como os municípios alegam não poder pagar mais do que isso, a maioria reduziu a carga horária no PSF para trabalhar em outros lugares. Durante a abertura da VII Conferência Estadual de Saúde, na última segunda-feira, no Centro de Convenções, o presidente do Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems), Pedro Madeiro, afirmou, diante do governador e do secretário estadual de Saúde, Alexandre Toledo, que perdeu noites de sono desde quando o MPF passou a exigir a jornada de trabalho de 40 horas dos médicos do PSF. MPF não abre mão de medida O procurador da República em Arapiraca, José Godoy Bezerra, disse que deve instaurar, esta semana, inquérito civil público para investigar os valores destinados ao Programa de Saúde da Família (PSF) repassados pelo Ministério da Saúde aos municípios. ?Vemos que as prefeituras estão recebendo do Ministério da Saúde um valor muito abaixo do que era repassado logo que foi implantado o PSF. Entendemos que assim como criou, o governo federal deve investir para manter o programa?, disse Godoy. Segundo ele, foram os relatórios da Controladoria Geral da União (CGU) sobre o PSF nos municípios alagoanos, além de levantamento do Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) que levaram o MPF de Alagoas a exigir, por meio de recomendação aos municípios, o cumprimento da carga horária de 40 horas semanais. ?Também recebemos denúncia do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem de Alagoas de que os médicos não cumpriam a carga horária estabelecida no contrato de trabalho, o que caracteriza uma situação ilegal?, disse o procurador José Godoy Bezerra. De acordo com ele, em alguns municípios os médicos só prestavam atendimento dois dias na semana.