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Fam�lias s�o retiradas de �rea rural

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Marechal Deodoro ? O juiz mandou, a polícia cumpriu e o despejo aconteceu. Dona Maria chorou: ?Só tenho Deus por mim e a coragem para trabalhar na roça. Mas depois de tudo plantado, vieram tirar a terra da gente, vieram tirar a gente da terra?. Maria Verônica do Nascimento está entre as cerca de cem famílias de trabalhadores sem-terra que encararam a Polícia Militar (PM), ontem pela manhã, na Fazenda Santa Amélia, em Marechal Deodoro. O choro dela não foi nem notado pelos 60 homens da 5ª Companhia Independente da PM, que mantinham a formação de combate, próximo aos barracos de taipa e de lona. Eles tinham de cumprir a determinação do juiz da 29ª Vara Cível, Ayrton de Luna Tenório, para reintegração de posse da área ocupada há quatro meses, próximo à margem da rodovia AL-215. Se houvesse resistência, a ordem seria imposta à força. O Batalhão de Operações Especiais (Bope) e outras unidades da PM estavam de sobreaviso para reforçar a operação de despejo. Para evitar o pior, os negociadores do Centro de Gerenciamento de Crises entraram em ação. Terra teria sido vendida a município Sem ter nada para esconder nem medo de se identificar, o artesão e agricultor Cícero Aristides dos Santos mostra os calos das mãos e diz o que pensa, sem rodeios. ?Essa terra aqui foi vendida para a prefeitura e agora o antigo dono quer dar o golpe do baú para arrendar à Usina Sumaúma. Estava tudo improdutivo?, afirma Aristides, enquanto já retirava as telhas de um barraco, para evitar que o material fosse destruído com o despejo. As negociações avançaram e os sem-terra decidiram levar os barracos que estavam mais longe da pista para a faixa de domínio, que fica numa distância de vinte metros do centro da rodovia AL-215. Dessa forma, a ordem de reintegração de posse estaria cumprida, sem mais mazelas. Quanto à roça, não seria papel da polícia destrui-la. A missão era apenas retirar as famílias da área em questão. A faixa de domínio não pertence à fazenda, é área do Estado.

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