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Batalh�o de Tr�nsito ser� extinto

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A notícia da extinção do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPtran) entra em rota de colisão com uma freada brusca nos índices de fiscalização e aceleração constante das mortes por acidentes de trânsito. A desmotivação da tropa e a redução do efetivo têm reflexos nas ruas de Maceió. A performance pífia do batalhão se traduz em apenas um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCOs) e 51 notificações por embriaguez entre os meses de janeiro e agosto de 2011, o que dá menos de duas multas da Lei Seca por semana. O BPTran parou de divulgar os dados, mas a Gazeta teve acesso por fontes na própria Polícia Militar (PM). Comparando o período de janeiro a agosto deste ano com o do ano passado, o número de Autos de Infração de Trânsito (multas) despencou de 7.943 para 2.104, uma redução de 73,5%. A produtividade também sucumbiu de 1.885 veículos recolhidos para 507 (73,1%). Na apreensão de carteiras de motorista, a baixa foi de 599 para 160 (73,2%). As multas por consumo de bebida alcoólica caíram 42,1% (de 121 para 51). Número de vítimas é cada vez maior De acordo com o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o número de vítimas de acidentes não para de aumentar em Alagoas, todos os anos. Se em 2007, registrou-se 2.940 vítimas; em 2008, foram 3.180; em 2009, 3.411; e em 2010, 3.819. Uma escalada de 29,9%. A evolução da mortalidade é ainda mais grave. No Instituto Médico Legal (IML), houve um aumento de 53,85% no número de mortos em acidentes de trânsito em Maceió, apenas entre os anos de 2009 e 2010. Foi um salto mortal de 143 para 220 vítimas que perderam a vida em ruas carentes de policiamento de trânsito. Em todo o Estado, o aumento foi de 603 para 788 mortos (30,7%). Enquanto a PM fica se debatendo para reduzir os índices de homicídios e de criminalidade, o BPTran praticamente para de expedir TCOs e adotar outras práticas que reforçam o policiamento ostensivo, como revistas de veículos, autuações por crimes de roubo e apreensões de armas de fogo. O TCO é um instrumento da PM para registrar as ocorrências, que poderia desafogar o serviço acumulado nas delegacias. Em rota de colisão O Detran relaciona diretamente o baixo desempenho do policiamento de trânsito ao aumento dos índices de acidentes com mortos e feridos. Se as multas, apreensões de veículos e recolhimento de carteiras não chegam, também há perdas na arrecadação. Mas o diretor-presidente do órgão, Lúcio de Melo, prefere enfatizar que a pior consequência da queda de performance do BPTran é o avanço da violência no trânsito. ?A minha preocupação no Detran não é o ganho financeiro, o nosso foco mesmo é tornar o trânsito mais seguro?, explica o presidente, frisando que a receita com as infrações atinge apenas 2%. De todo modo, ele admite que o ganho indireto que a fiscalização traz com a regularização dos veículos é bem mais significativo, já que o órgão registra uma taxa de 35% de inadimplência. Os gráficos do Detran demonstram que as infrações em 2011 caíram a menos da metade do registrado em 2010. Segundo Lúcio, as quedas começaram em 2009 e ficaram mais exageradas no ano passado, que começou com a aplicação de 1.010 multas no mês de janeiro e terminou com apenas 65 em dezembro. Associações criticam remanejamento As associações militares apontam a falta de efetivo como a raiz do problema das estatísticas do BPTran e criticam os remanejamentos que o comando faz nos batalhões. Nem os novos projetos da PM, anunciados como revolucionários para conter a criminalidade são poupados. ?Essa Ronda Cidadã está tirando os policiais de outros batalhões, eles descobrem um santo para cobrir o outro?, opina o presidente da Associação dos Oficiais Militares (Assomal), major Wellington Fragoso. Para o oficial, a PM não deve abrir mão de fiscalizar o trânsito. ?Estamos voltando para a Idade da Pedra, deixando de dar importância a um batalhão tão importante como o BPtran. Fazem isso porque acreditam que a Guarda Municipal vai cuidar do trânsito, mas eles não têm poder de polícia para apreender drogas, armas ou prender um suspeito?. O presidente da Associação dos Praças de Alagoas (Aspra), cabo Wagner Simas, discorda da estratégia de deslocar a estrutura do BPTran para reduzir homicídios e outros crimes. ?Quando o policial de trânsito está atuando, tira de circulação carros irregulares, armas, drogas e suspeitos. Quando você extingue uma unidade estabelecida há vinte anos, você reduz essa possibilidade?. Comando considera mudança salutar Mesmo com a extinção do BPtran, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Luciano Silva, garante que o policiamento de trânsito vai ser reforçado. ?A gente vai operacionalizar, vai ter uma gestão mais forte nessa questão do trânsito, que hoje é municipalizado. Vamos adquirir mais equipamentos e haverá pelotões de motociclismo e de quatro rodas lotados nos batalhões de área?. Sobre a baixa radical nos índices de fiscalização de trânsito, o comandante respondeu apenas que: ?se houve essa redução, precisamos fazer um trabalho de gestão para identificar as falhas e corrigi-las?. Apesar do coronel não deixar claro que sabia da queda nas infrações, o presidente do Detran, Lúcio de Melo, informa que já tinha discutido esse assunto com ele. Quanto aos problemas apontados pelas fontes da Gazeta, Luciano não quis polemizar. ?Vejo como críticas boas, construtivas. Por causa disso, a gente transforma o batalhão em companhia na expectativa de melhorar a gestão administrativa para fortalecer o trabalho de trânsito?, afirma o comandante, lembrando que o BPtran hoje já faz o policiamento ostensivo. ?Quando essa lógica foi implantada, algumas pessoas também se sentiram incomodadas?, completa.

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