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Agricultores temem perder terras

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Arapiraca ? Para o agricultor José Nunes da Silva, 67, a venda da propriedade que durante toda a vida serviu para o sustento da família era a garantia de quitar todos os financiamentos contraídos em instituições bancárias desde o início da década de 90, e também uma oportunidade de recomeçar. ?Quando procuramos os bancos, percebemos que com R$ 350 mil todas as dívidas estariam quitadas. Vendemos as terras por R$ 400 mil, mas, quando voltamos ao banco, o valor da dívida já tinha subido para R$ 1,1 milhão. Sempre fui um homem decente, sempre procurei fazer o certo, mas desse jeito não tem como. Tem horas que perco até as esperanças e nem lembro mais como rezar?, afirmou José Nunes, mais conhecido como ?Zé Nani?, na Vila São Francisco, zona rural de Arapiraca. A situação do agricultor, que já foi um dos mais prósperos na comunidade onde mora, é a mesma de 30 mil trabalhadores rurais de Alagoas, conforme o Movimento dos Agricultores Endividados do Nordeste. Propriedades e bens são leiloados pelas instituições financeiras A partir da transformação da medida provisória em lei, em julho do ano passado, Zé Nani passou a ter um desconto para poder quitar as dívidas, com prazo até o último dia 30, a partir de quando os bancos passaram a leiloar bens e propriedades rurais dos agricultores endividados. ?Eles me disseram que ou eu vendia as minhas terras para pagar as dívidas ou elas seriam leiloadas. Resolvi vender e consegui R$ 50 mil a mais que o valor da dívida. Fiquei contente porque, apesar de ser pouco, já dava para recomeçar de alguma forma. Só que, quando eu voltei no banco, a dívida, que no começo era de R$ 350 mil, passou para R$ 1,1 milhão?, relatou. Preocupado porque não pode passar os documentos da terra para o nome do novo proprietário e pressionado pelos avalistas dos financiamentos, Zé Nani sofreu uma crise de diabetes, que o deixou na cadeira de rodas e dependente de duas injeções diárias de insulina. A filha dele, Cleonice Nunes da Silva, contou que a mãe dela também sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) devido à preocupação. Ela hoje abriga os pais, que não têm mais onde morar, em sua casa.

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