Cidades
Comunidade cobra grade de prote��o
A morte cai em cima dos telhados do Vale do Reginaldo. Quem mora embaixo da ponte da Avenida Leste-Oeste vive com os olhos fixos para o alto e teme o que vem de lá. A Associação Comunitária da Região já registrou 45 suicídios nos últimos 30 anos, desde a construção da ponte. Os moradores cobram a construção de uma grade de proteção que, segundo eles, é uma velha promessa de campanha do prefeito Cícero Almeida. ?Quando ainda era repórter, ele vivia aqui cobrando as gestões anteriores para colocar a grade e criticava a ?galega? (ex-prefeita Kátia Born), mas já está no fim do segundo mandato e não fez nada?, reclama o presidente da Associação de Moradores do Reginaldo, Antônio de Lima, o ?Fuscão?. A dona de casa Marileide da Silva não se esquece do grande susto que tomou há cerca de um mês, quando uma mulher que se jogou da ponte caiu em cima da casa onde ela mora. ?Quebrou as telhas, as ripas, e o corpo ficou em cima do telhado, com a cabeça pendurada. Por pouco, não caiu dentro de casa. O meu filho de três anos ficou com trauma e até hoje fala a todo instante da moça que pulou?. Ocorrências traumatizam Fora das estatísticas dos 45 suicídios, ainda há um grande número de tentativas frustradas. ?Já vi uma pessoa caindo lá de cima, parecia um boneco, quebrou tudo na casa de uma mulher: telhado, fogão, sofá, TV, geladeira. E o rapaz que pulou ainda foi levado pela ambulância e ficou vivo?, afirma Maria Antônia dos Santos, que mora no local há quinze anos e diz já ter perdido a conta de quantas pessoas já viu se jogando da ponte. Além dos prejuízos materiais, a comunidade se depara com forte carga de estresse, traumas psicológicos e a banalização da morte. ?Quando alguém ameaça pular, sempre vira uma aglomeração aqui embaixo, inclusive com muitas crianças, e tem gente que até fica gritando para a pessoa pular logo. É horrível?, destaca Fuscão. ?Há cerca de dez anos, havia este mesmo problema no Edifício Brêda, mas resolveram, nunca mais se teve notícia de morte lá. Por que não fazem alguma coisa nessa ponte??, compara o líder comunitário.