Cidades
Fam�lias vivem � espera de moradias na capital
Em meio ao lixo, aos insetos e sob um sol escaldante à beira da Lagoa Mundaú, a marisqueira Eliane da Silva reclama do matagal que insiste em nascer na sua barraca de um só cômodo e chão de terra batida. ?Não adianta, a gente arranca, limpa tudo, mas o capim nasce de novo?, lamenta. Assim como as incômodas plantas se multiplicam no casebre da marisqueira Eliane, é a situação habitacional da favela da Orla Lagunar, no Vergel do Lago, em Maceió. A falta de continuidade do Projeto Integrado de Urbanização da Orla Lagunar possibilita esse entra e sai de famílias, que engrossam a contrastante paisagem do manancial. Eliane da Silva divide a casa de um pouco mais de 15m² com sete filhos (quatro meninas e três meninos), e com o marido, que trabalha como autônomo. De posse da barraca há pouco mais de dois anos, Eliane nem sabe sua idade ao certo, mas lembra bem quando saiu do município de Cajueiro, na Zona da Mata alagoana e foi morar na beira da lagoa, na esperança de conseguir uma moradia por meio do projeto do governo do Estado. * Sob supervisão da editoria de Cidades ?Eles prometem, prometem e nada? A lavadeira Gilda da Silva diz que também já foi cadastrada para ser contemplada pelo Projeto de Urbanização da Orla Lagunar, mas que a espera é longa. ?Eles vêm, fazem perguntas, prometem, prometem e nada. Toda vez dizem que é pro mês que vem, mês de festas e nada?, lamenta. ?Eu sou daqui desde os tempos da favela Sururu de Capote. Vim para cá pensando que ia sair logo, mas a gente não teve melhoria?, reconhece a lavadeira. Gilda relembra que as últimas pessoas que ela conhecia da vizinhança e que foram transferidas para outros lugares por meio do projeto foi logo depois da enchente, em 2010, quando a Lagoa Mundaú transbordou e deixou dezenas de barracos inundados. Primeira etapa do projeto levou quatro anos Orçado em R$ 35 milhões, o Projeto Integrado de Urbanização da Orla Lagunar é financiado pelo Ministério das Cidades e executado pelo governo de Alagoas em parceria com a Prefeitura de Maceió. Iniciada em 2007, a primeira etapa do projeto, a do cadastro das famílias abrigadas nos barracos em torno da orla e a transferência para as 1.181 moradias, sendo 821 casas no Eustáquio Gomes e 360 apartamentos no Vergel, foi concluída, segundo informou a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Infraestrutura. As últimas unidades habitacionais foram entregues no mês de junho deste ano, no Conjunto Santa Maria, beneficiando aproximadamente 821 famílias cadastradas no projeto, segundo informações da Agência Alagoas.