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Catadora prefere favela a sua cidade no Interior

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Natural de fazenda às margens da Serra do Goiti, em Palmeira dos Índios, a catadora de lixo Maria Damiana Cardoso Santos, de 33 anos, é uma das milhares de vítimas da exclusão social que atinge mais de 50% da população da capital alagoana, formada em sua maioria pelas personagens da histórica problemática da falta de oportunidades de trabalho ou projetos de subsistência ligados à agricultura. ?Não conseguia emprego e meus filhos viviam famintos. Decidimos pedir esmola até chegarmos à beira da lagoa, em Maceió?, confessa Damiana Cardoso. Vítima da exclusão social e da falta de projetos de desenvolvimento e fixação do homem ao campo, a agricultora obrigada a migalhar a sobrevivência a partir da cata de latas e papelão surpreende ao afirmar que vive melhor na miséria da capital alagoana do que na zona rural da longínqua Palmeira dos Índios. ?Minha vida é uma desgraça. Nada tenho e passo muita fome, mas vivo melhor à margem da Mundaú do que na minha querida Palmeira dos Índios. Se lá estivesse, acho que não estaria mais viva?, analisa a ?inquilina? da Sururu de Capote, favela a cada dia maior à margem da Lagoa Mundaú. Doenças da miséria Detentora das doenças típicas da miséria ? ?a principal delas é a coceira na barriga sempre vazia? ?, dona Damiana sobrevive ao lado de marido alcoólatra e também pariu quatro filhos. Três deles perderam a vida em meio à violência do submundo das favelas da capital alagoana. ?O que me sobrou vai vivendo com barriga também vazia e catando papel velho para não morrer de fome definitivamente?, conta a catadora que apura, em média, R$ 3 por dia. A mísera renda da agricultora expulsa do campo que não lhe possibilitou viver com dignidade da agricultura de subsistência emprega o mísero apurado na manutenção da paupérrima choupana em que habita, decorada com móveis captados em lixos de bairros mais abastados. ?O único luxo que temos é a velha TV preto-e-branco que comprei de um vizinho?, explica a trabalhadora, enquanto põe no fogo à lenha a velha panela de pressão com pequenos pedaços de inhame encontrados no lixo do mercado da produção. ?A bóia (alimentação) do meio-dia não passa disso. Geralmente, não temos o que comer e beliscamos pedaços de pão seco. Acordei desejando comer carne, mas vou ficar na vontade. Aliás, vivo sempre na vontade de ter o que nunca terei?, confessa dona Damiana Cardoso Santos. Sua vizinha, dona Francisca da Chagas, é outra vítima da exclusão social que campeia na periferia da capital de todos os alagoanos. Natural da capital piauiense, chegou a Maceió dois anos atrás. Depois da morte do marido, contraiu novo matrimônio e viu-se obrigada a perpetuar sua pobreza em meio aos barracos da Sururu de Capote, no Dique Estrada. ?A meninada vai crescendo e não encontra trabalho. Aliás, quase nenhum dos moradores de nossa favela tem emprego?, completa Francisca das Chagas.

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