Cidades
Mis�ria tamb�m vive da explora��o dos miser�veis
A assistente social Ana Paula Silva, da Fundação Municipal de Apoio à Criança e ao Adolescente, revela ainda que a miséria também sobrevive dos miseráveis habitantes das choupanas da Favela do Lixão. Obrigados a criar alternativas do nada, aproveitam ainda as raríssimas chances de prestar serviços aos vizinhos de exclusão social. ?7% dos habitantes já têm casa de alvenaria e alguns deles são pequenos comerciantes. São miseráveis que conseguem tirar parte do sustento a partir da exploração dos demais excluídos ou explorados?, diz a assistente social. Nesse universo de marginalizados, composto por mais de 140 famílias, apenas um morador tem emprego formal. Trata-se de um garçom que trabalha na orla marítima da Pajuçara para garantir o lazer dos mais abastados. Os demais sobrevivem, ainda, da execução de serviços domésticos em residências ou mesmo como operários ou pedreiros. ?Mesmo assim, 79% deles dependem única e exclusivamente do lixo. 80% deles têm renda mensal inferior a um salário mínimo e apenas 2% conseguem ganhos superiores a dois salários mínimos?, ressalta Ana Paula Silva. A constante busca pela sobrevivência obriga ainda os favelados a superação de preconceitos impostos pela sociedade. O maior deles, revela Ana Paula, é o fato de residirem na favela. ?Lutam pela designação da localidade como Vila Emater II. É uma forma de omitir o nome Favela do Lixão, altamente nocivo às pretensões de qualquer colocação profissional?, ressalta. Praticamente sem possibilidade de vislumbrar melhorias no horizonte repleto de lixo, os chefes de 135 famílias preferem continuar vivendo no local, mas com melhores condições de vida. Outros 26 chefes de famílias sonham mudar de vida e deixar a favela. ?como não dispõem de posto de saúde, andam quilômetros até os bairros mais próximos, em busca da assistência médica ausente na favela?, ressalta a assistente social.