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Cidade de Macei� completa 172 anos

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?Nasceu espúria a cidade, no pátio de um engenho colonial, sem ascendência conhecida e assentamento autorizado nas crônicas do período histórico da luta pelo domínio do gentio e conquista da terra...?. O primeiro período do texto do jornalista e professor João Craveiro Costa (1874-1934), em seu clássico Maceió, um dos mais importantes documentos sobre a formação histórica de nossa capital, de cara, instiga a curiosidade de quem busca informações sobre os tempos remotos do surgimento de Maceió. Ele nos conta também que foi graças à empreitada de um homem, cuja identidade é um mistério até hoje para os historiadores, que surgiu a cidade. Este ilustre desconhecido teria saído do povoado de Santa Luzia do Norte, no início do século 17, com gado e escravos, para fundar, às margens do riacho Maçayó, o engenho de açúcar em torno do qual surgiria a povoação. O local exato seria onde hoje se encontram a Praça D. Pedro II e a Assembleia Legislativa, no Centro da capital. A proximidade do Porto de Jaraguá, fundamental para o escoamento da produção de açúcar, fumo, algodão e cereais produzidos no interior da então província, além do desenvolvimento das atividades comerciais e da topografia estratégica, alçaram Maceió à condição de burgo dos mais importantes da província. INDICADORES SOCIAIS DESANIMAM POPULAÇÃO Às vésperas de completar 172 anos, a capital alagoana prepara a festa de aniversário. Muita gente deve lotar o estacionamento de Jaraguá, onde haverá shows musicais e outras atrações, no próximo dia 9, a partir de 21 horas. Mas, embora busque motivos, a cidade não tem o que comemorar. A capital alagoana se destaca nas estatísticas quando o assunto é violência. Lidera a lista das 100 cidades com as maiores taxas de assassinatos de jovens entre 15 e 24 anos, segundo a edição 2011 do Mapa da Violência. Tem mais. Maceió ocupa a 8ª posição no ranking das 100 cidades mais violentas do País. Em 10 anos, de 1999 a 2009, foi registrado um crescimento de impressionantes 222% no número de homicídios. Outra faceta da capital alagoana rompe fronteiras e estarrece entidades de direitos humanos Brasil e mundo afora. ?Somos? exímios matadores de moradores de rua. MACEIOENSES ESCOLHEM OS PRESENTES Mesmo em meio aos problemas e às dificuldades que o dia a dia em Maceió impõe, a população alagoana esbanja generosidade e mostra grandeza de espírito. Mesmo excluída e esquecida pelo poder público, vivendo à base de muito esforço para garantir uma vida digna, figuras que representam os milhares de trabalhadores alagoanos gostariam de presentear Maceió, quando a capital alagoana completa 172 anos. A Gazeta foi às ruas ouvir desses maceioenses o que cada um deles daria de presente à terra natal. À beira da Praia da Avenida, a mirar o Porto de Jaraguá, umbigo de Maceió, o pescador Josias de Souza, 58 anos, dos quais 50 dedicados à pesca, não daria apenas um, mas três presentes de aniversário a sua querida Maceió. ?Se eu pudesse, daria segurança, educação e saúde?, crava sem titubear o pescador. ?Estou com essa idade e não vou me acostumar nunca a ver essas barbaridades, esses crimes que estão acontecendo. Lembro do tempo em que ainda havia tranquilidade. Hoje vivo assustado, com medo?, explica o pescador, morador da Vila de Jaraguá, de onde não aceita sair para morar em outro local, como propõe o município. ?NOSSO EFETIVO POLICIAL É PEQUENO? Sentada no ponto de ônibus, olhar preocupado, a esperar o coletivo que não chega, a auxiliar de cozinha Francisca Nogueira da Silva está impaciente. O transporte público que serve a ela e a milhares de trabalhadores maceioenses é disparado um dos piores serviços oferecidos em Maceió. ?É uma desgraça depender de ônibus em Maceió. Você não tem a certeza de que vai chegar no ponto e conseguir pegar o transporte e chegar a tempo no trabalho?, reclama Francisca Nogueira. Por isso, ao ser indagada sobre qual presente de aniversário gostaria de dar a Maceió, ela não contou conversa: ?Uma nova frota, com mais ônibus. Seria um presente maravilhoso para a cidade e para nós trabalhadores, que dependemos desse transporte?. Ao lado dela, o guarda municipal Carlos Roberto Lopes ouve a conversa e quer participar. Também depende de transporte público, mas daria a Maceió um maior número de policiais nas ruas. ?Nosso efetivo policial é pequeno. A criminalidade cresceu demais?, disse Carlos.

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