Cidades
Abandonada pelo poder p�blico
O povoado Sauaçuhy, no bairro de Ipioca, em Maceió, tem o mar como principal atrativo, mas enfrenta problemas urbanos comuns a toda periferia da capital. Distante cerca de 18 km do Centro, o povoado voltou à cena cotidiana esta semana após fato provocado pelo prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), flagrado cometendo crime ambiental nas compactas areias daquela praia. Acostumado a frequentar o local, onde joga futebol com amigos, entre estes alguns parlamentares, o prefeito viu a caminhonete Toyota Hilux que dirige em seus deslocamentos pessoais, ser arrastada pela maré alta do fim de semana passado. Com preço estimado em mais de R$ 100 mil, o carro atolou e foi encoberto pelas águas do mar enquanto Almeida, depois de passear pela areia, se divertia com os amigos numa barraca próxima à boca do rio que dá nome ao povoado. Um banhista que registrou a cena com o telefone celular, contou que tudo aconteceu muito rápido, deixando Cícero Almeida sem chance de tirar o carro. Pescadores e veranistas da área disseram que o prefeito estava distraído e não percebeu a maré subir. A Hilux do prefeito só foi retirada com ajuda de trator e retroescavadeira. Além de degradar ambiente, veículos oferecem riscos a banhistas Somado a essas dificuldades, resultado da ausência do poder público municipal, a comunidade de Sauaçuhy tem ainda que enfrentar a degradação ambiental. Área de manguezais, o povoado, cuja praia é ponto de desova de tartarugas marinhas, integra a Costa dos Corais. Trata-se da Área de Proteção Ambiental Federal criada em outubro de 1997, numa extensão de aproximadamente 150 Km, que vai de Maceió até o município de Rio Formoso, em Pernambuco. Seu objetivo é garantir a conservação dos recifes coralígenos e de arenito, assim como os ambientes costeiros. Segundo o site www.costadoscorais.com.br em terras alagoanas foi elaborado o Roteiro Costa dos Corais, incluindo o Estado na maior área de preservação ambiental marinha do País. Associações lutam para pôr em prática projetos sociais ?Temos centenas de jovens ansiosos por ocupação. Sem perspectivas, eles acabam sendo recrutados pelo tráfico que leva nossos adolescentes ao crime e a morte?, reclamou Cida, ressaltando que mais de 14 jovens do povoado já morreram em consequência da violência gerada pelo tráfico de drogas. Enquanto isso, a associação que preside espera ajuda para executar seus projetos. Um deles prevê o aluguel de cadeiras de praia a banhistas, turistas e nativos, gerando renda para a comunidade. ?Já compramos as cadeiras, mas precisamos de um adulto que possa atuar como monitor. Não temos como pagar essa pessoa?, diz ela. Mas, a despeito das inúmeras dificuldades, os moradores e suas lideranças não desistem da luta para preservar a riqueza ambiental e, conservado-a, garantir a sobrevivência digna de todos que ali vivem. ?Um dos nossos projetos é a consolidação do turismo de observação?, acrescenta Cidália.