Cidades
Ignorados, moradores amargam preju�zos
Em Alagoas, centenas de arrendatários do Programa de Arrendamento Residencial (PAR), da Caixa Econômica Federal, amargam problemas que vão do piso largando dentro e fora do apartamento até desabamento de caixa d?água, como ocorreu recentemente no Condomínio Galápagos, em Maceió. Por aqui, as casas e apartamentos construídos pelo programa do governo federal são uma ?dor de cabeça? para muitas famílias. A Caixa, responsável pela contratação das obras e liberação dos recursos, tem sido alvo de ações na Justiça Federal. Mesmo assim, os problemas em diversos condomínios não estão sendo resolvidos. Muitos arrendatários demonstram insatisfação com a baixa qualidade da construção que adquiriram. Eles reclamam que nas obras não foram utilizados materiais de boa qualidade, acusando as construtoras de não terem seguido as especificações da construção civil e a Caixa de não ter fiscalizado adequadamente a construção dos imóveis. Arrendatários podem recorrer ao MP A Caixa, conforme informações de sua assessoria de comunicação, já construiu 46 conjuntos habitacionais em Alagoas, sendo quatro em Arapiraca e o restante em Maceió. Em praticamente todos eles há problemas. Fossas estouradas, instalações elétricas deficientes, rachaduras, infiltrações e tubulações expostas estão entre as deficiências reclamadas pelos arrendatários. ?Desde que viemos morar aqui enfrentamos dificuldades?, reclama o jornalista André Feijó, que tem um apartamento no Residencial Germano Santos, no Tabuleiro. Os problemas vão do piso solto a vazamento na rede de esgoto. Na casa de Feijó, o esgoto do apartamento acima escorre para seu banheiro, praticamente inviabilizando o uso desse compartimento. ?Se alguém estiver usando o vaso sanitário e o morador de cima der descarga, já viu...?, ilustra ele, tentando ironizar a situação. O jornalista mostra o piso do corredor de seu prédio se soltando, e diz que para resolver a falha dentro de seu imóvel foi obrigado a trocar todo o revestimento. Sonho da casa própria vira um pesadelo A obrigação da Caixa é entregar as moradias com infraestrutura básica (água, luz, esgoto sanitário, serviços públicos de transporte e coleta de lixo), além de arborização, salão de festas, playground e quadra de esportes. Destinado a famílias com renda mensal de até 6 salários mínimos, o PAR é um arrendamento onde estas pagam, mensalmente, prestação inferior a um aluguel normal, para no prazo máximo de 15 anos se tornarem proprietárias do imóvel. São casas ou apartamentos com uma sala, dois quartos, cozinha, banheiro e uma vaga descoberta de garagem. O valor de avaliação é de R$ 22.500,00 e as prestações variam de R$ 180 a R$ 220 (incluso o seguro de morte e invalidez permanente). Mas o sonho da casa própria pode se transformar em pesadelo para os arrendatários da Caixa, como ocorre com os moradores do Residencial Galápagos, localizado no bairro Santa Lúcia, na parte alta da cidade. Ali os moradores quase enfrentaram uma tragédia, na tarde do último dia 2. A caixa d?água do condomínio desabou, minutos depois de cinco crianças deixarem a escadaria localizada abaixo do reservatório, cuja capacidade era de 6.300 litros. Três prédios do condomínio eram abastecidos pela caixa que se rompeu provocando destruição.