Cidades
Alunos continuam em sala de aula
Mês de janeiro é mês de férias escolares. Assim entendem os pais, os estudantes, a sociedade, o sistema educacional e o setor de turismo, que conta com isso para ver decolar a alta temporada. Mas, em Alagoas, para alunos e professores de dezenas de escolas da rede pública estadual e municipal, janeiro é mês de aulas, de reposição do calendário escolar atrasado, de estudar muito para as provas finais, que ainda serão realizadas. De acordo c om a Secretaria de Estado da Educação e do Esporte (SEE), pelo menos 10% das escolas da rede ainda estão em aula, algumas até o fim do mês. Considerando um total de 334 escolas, isso significa que, em pelo menos 33 unidades, alunos e professores ainda estão em plena atividade letiva. Houve problemas, como a greve na educação, mas houve também complicações estruturais e de ordem diversa, como o caso da Escola Mota Trigueiros, no Santo Eduardo, que teve problemas com segurança ? um aluno entrou armado, supostamente para matar um colega dentro da instituição ? e depois problemas estruturais, com o desabamento do teto. Descompasso também atrapalha educadores A coordenadora pedagógica Dayse Sales já olhou o calendário diversas vezes para tentar encaixar uma programação de férias com a família, mas desistiu. ?Pensei que poderia sair no dia 23, mas as provas de recuperação vão até o dia 20 de janeiro, depois tem o conselho de classe e a coordenação tem que esperar os professores fecharem as notas e entregarem as cadernetas com os resultados. Isso leva pelo menos uma semana mais?, diz ela. A perspectiva, agora, é de que só no dia 30 comecem as suas férias da Escola Silveira Camerino. É o mesmo dia em que terminam as férias do filho, que estuda em uma escola particular. ?Tem sido assim nos últimos anos. Não temos nem uma semana de férias juntos?, lamenta a educadora. E olhando o calendário de 2012, proposto pela SEE, ela já percebeu que ainda não será no próximo janeiro que vai conciliar o período de férias com o resto da família. ?Se não houver greve e nenhum imprevisto, quem sabe nas férias de 2013 a gente consiga?, diz ela. Calendário de 2012 segue indefinido Os gestores atribuem o atraso a fatores como a greve, que afetou principalmente a rede estadual, e reformas nas escolas. O fato é que, seja por causa de greves ou por falta de infraestrutura, que resultaram em paralisação das aulas por determinado período, milhares de alunos e professores acabam cumprindo uma espécie de ?castigo?, frequentando aulas durante o mês de férias. Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas (Sinteal), Célia Capistrano, não se deve simplesmente atribuir às paralisações da categoria em momentos de mobilização a carga do prejuízo que o atraso no calendário escolar traz para alunos e professores. ?A greve já é uma consequência de outros prejuízos que sofrem educadores e alunos, pela falta de cuidado de gestores públicos com as boas condições de funcionamento da educação?, devolve ela.