Cidades
PRAGA AMEA�A CAJUEIROS
Nas tardes de dezembro e janeiro, o aroma doce e inconfundível toma conta das ruas da Barra de Santo Antônio, invade o interior das casas da vizinhança e enche de água a boca dos glutões. Todos têm a certeza de que uma das mais saborosas iguarias típicas do Nordeste está sendo preparada pelas mãos de uma especialista. Pelo menos era assim, até o ano passado. Porque neste verão, a tradição culinária alagoana na região Norte está quebrada. Com todos os cajueiros infestados por uma praga, dona Benedita Rosalina, de 85 anos, a mais experiente das doceiras da Barra de Santo Antônio, não conseguiu o ingrediente principal para o seu tradicional doce de caju, cujo sabor é apreciado principalmente por turistas, que buscam a iguaria a cada temporada. ?Não tem caju em canto nenhum. A praga acabou com a safra desse ano?, lamenta a doceira. Ela ainda tentou garantir a tradição. Foi atrás, procurou, mas tudo que conseguiu foram 50 cajus. ?Só deu para um pouquinho de doce. Aí nem vendi, dei aos vizinhos?, conta dona Benedita.