Cidades
Tumulto e filas marcam o recadastramento
Mais de quinhentas pessoas esperando, fila debaixo de sol quente, desinformação. Idosos, gestantes e deficientes imprensados numa sala sem ventilação. Uns lamentam, alguns reclamam, outros suplicam por atendimento. A multidão de furiosos com fichas nas mãos se depara com um único funcionário do setor de triagem. Ele escuta desaforos e, por pouco, não apanha de mães de família indignadas, cansadas de esperar e ouvir ?não? como resposta. ?Gente pobre sofre muito?, resume a dona de casa Cecília Rodrigues. Mas nem todo mundo pensa assim. ?Na normalidade, o atendimento está ótimo. Não há necessidade de melhorar o atendimento?, interpreta o coordenador- geral do Cadastro Único (CadÚnico) em Maceió, Ricardo Pachêco. A análise fria e tecnocrata deturpa o suplício de quem pode perder o benefício social dos filhos, que varia de R$ 32 a R$ 306 por mês. O atendimento pode ser ainda muito pior hoje, último dia para fazer a atualização. Depois de seis anos lutando para ter o direito, Mônica dos Santos só começou a receber o Bolsa Família no ano passado. Agora, está com medo de ter o benefício bloqueado. ?Cheguei aqui às 6h da manhã e já tinha um mundo de gente na minha frente. Será que eles vão me atender ainda hoje??, indaga Mônica, com a ficha 96 na mão.