Cidades
Obra causa atropelos no Sert�o
Um rio de concreto rasga a caatinga e ?atropela? sertanejos por onde passa. Quem rezou pela água do céu a vida inteira, sofre com a promessa da água que ecoa entre paredões de cimento. Paga penitência para o gado não morrer de sede. Comunidades tomadas pelas obras reclamam de uma série de prejuízos e da falta de informações sobre o Canal do Sertão. A dúvida gera a ignorância. Alguns pensam que não terão direito de retirar sequer um caneco d?água do aqueduto. Não tem quem diga a seu Tonho que a terra não é mais dele. Aos 70 anos, o criador de gado não entende. ?A propriedade é minha e mandam eu não andar mais aqui. Não podem me proibir porque me pertence?, reclama Antônio Oliveira Neto, nascido e criado próximo ao Alto dos Coelhos, zona rural de Água Branca. O canal tem uma faixa de domínio cercada a 50 metros de cada margem. A obra passa no meio da terra de seu Tonho e, segundo ele, acabou com três barreiros (pequenas barragens) onde o gado bebia. Ao ver a água minar em outro trecho escavado pelas máquinas, o sertanejo não contou conversa e levantou uma cerca por dentro da cerca com estacas de concreto feita pela construtora Queiroz Galvão.