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O APELO QUE VEM DOS MUROS

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O muro é uma mídia. Em tempos de Facebook e Youtube, paredões, viadutos e monumentos também comunicam. A cidade fala por meio de pichações que multiplicam todo tipo de sentimento. Sem levar em consideração a arte do grafismo, as mensagens rompem a monotonia do concreto e fazem pensar. Mecanismo usual para protestos políticos, a pichação assimila novos conceitos. Nas últimas semanas, as ruas de Maceió foram tomadas por mensagens que pedem ?Mais amor, por favor? ou ?Love me, don?t eat me (Ame-me, não me coma)?. O conteúdo ?paz e amor? se contrapõe a mensagens de ódio, xingamentos e disputa por territórios. O apelo por mais amor pichado numa pedra onde deveria haver uma placa chamou a atenção do professor de História Josival Oliveira. ?Mesmo quando fala em amor, a mensagem também tem uma conotação política. Pedir mais amor é o mesmo que sugerir a redução da violência?. O professor lembra os altos índices de violência no Estado e aponta algo de artístico na pichação. ?Esta letra pintada de vermelho simboliza o sangue?. Tendências do movimento estudantil se valem dos muros para incitar a mobilização da juventude, tanto com conceitos revolucionários ou por questões mais imediatas, como o passe livre para estudantes ou contra o aumento das passagens. A maioria das pichações é feita com spray, mas algumas usam telas de serigrafia, o que garante mais agilidade e permite que a mensagem seja espalhada em mais locais.

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