Cidades
ANIMAIS SILVESTRES VIRAM BICHOS DE ESTIMA��O
Ao invés dos campos, cerrados e fronteiras de florestas, onde sua espécie se lança em exímios voos para buscar a presa, a ave vislumbra agora a selva de concreto, onde prédios, residências e um emaranhado de fios atrelado a postes poluem o outrora límpido céu azul. Arisco e arredio ao bicho homem, dentro do lar, em meio ao ?habitat? doméstico, o gavião recebe o afago do dono, que acaricia suas asas e a bela plumagem. Após destruir florestas, dizimar espécies e afugentar os bichos, o homem sentiu a necessidade profunda do contato com a natureza. A maioria busca nos cães e gatos suprir o vazio. Alguns, porém, vão além e buscam cada vez mais na fauna silvestre saciar a sede de natureza. No biólogo Alexandre Cavalcante, o gosto e a admiração por animais se revelaram desde a infância. Aos sete anos, criava pássaros. Chegou a ter 20 aves dentro de casa, entre espécies como papa-capim e galo de campina. Criou cobras. ?Mas eram ilegais e acabei me desfazendo de todos?, diz ele. Agora, aos 22 anos, Alexandre exibe, orgulhoso, Nótus, o deus do vento na mitologia grega, um belo gavião, da espécie asa-de-telha (Parabuteo unicinctus), adquirido em um criadouro, em junho do ano passado, devidamente registrado e legalizado.