Cidades
DESCONTRA��O TAMB�M � PARTE DA ROTINA
Conhecer as irmãs carmelitas dentro da sua clausura e fazê-las falar é um processo que exige troca de confiança. Depois disso, não demora muito para elas revelarem que, ao contrário das expressões fechadas e contidas que imaginamos, elas irradiam alegria, simpatia e muita energia positiva. Começamos com a irmã Celina, a madre superiora, 62 anos de idade e 37 de vida religiosa, em princípio a única que estava autorizada a falar conosco. Ela nos recebeu no locutório, a pedido do monsenhor Pedro Teixeira, mas alegou que tinha pressa, pois deveria sair ? para nossa primeira surpresa ? para ir ao dentista. ?Nosso centro de saúde ainda não está funcionando. Às vezes, temos que sair, sim?, explica ela. Logo é chamada para fazer as honras da casa a irmã Maria Inês, 41 anos de idade e 23 de convento. Entrou com 17 anos, logo após concluir o Magistério, e nunca mais saiu. Restrita, a princípio, irmã Inês fala da vida simples que elas levam, imitando a Virgem Maria, sempre em comunhão com Deus, e da rotina no mosteiro, dividida entre momentos de silêncio absoluto e oração e momentos de vida comunitária, como a hora do recreio, onde é permitido conversar, expressar alegria em boas risadas, cantar, se divertir e até fazer teatro com a vida dos santos. ?Você precisa ver as festas que elas fazem aí dentro, em ocasiões especiais?, diz o monsenhor Pedro Teixeira, para nossa surpresa número dois. ?Sim, nossa vida é de muita alegria. Tem uma frase de Santa Teresa D?Ávila que diz assim: ?se no mundo faltar alegria, vão ao carmelo??, enfatiza a irmã Inês, já com um sorriso aberto.