Cidades
M�E � MOVIDA PELA ESPERAN�A
Há sete anos dona Josefa Duarte espera, todos os dias de sua vida, uma notícia do filho Deivisson Duarte. Há meses ela percebia que ele estava depressivo. Tinha muitos amigos, mas havia deixado o emprego numa rede de supermercados, em Maceió, e com o dinheiro da indenização trabalhista dera entrada em um carro e comprara uma moto para fazer serviço de transporte em São Miguel dos Campos. Mas não deu muito certo. O dinheiro foi acabando e ele teve de devolver o carro, e pouco tempo depois vendeu a moto. Desempregado e sem dinheiro, ele sofreu algumas decepções, segundo a mãe. Chegou a iniciar tratamento com antidepressivos, mas chegou um momento em que também não quis mais tomar os remédios. Um dia, em abril de 2005, dona Josefa saiu de casa para trabalhar e o deixou se arrumando para ir ao médico. Deu R$ 10 para ele lanchar, mas não o encontrou nunca mais. ?Saiu sem nada, só com a roupa do corpo, nem os dez reais ele levou. Nunca mais voltou para casa?, lamenta ela. Falar sobre essa situação deixa dona Josefa emocionada e ela desata a falar. ?É impossível não chorar, quando a gente lembra de um filho que está desaparecido. É um desespero, misturado com a esperança de encontrá-lo. Eu sei que ele está vivo, e se eu tivesse dinheiro, já teria o encontrado. De vez em quando liga um número desconhecido para o meu celular e fica calado. Eu penso que é ele. Será que ele sabe do número do meu celular? Faz tanto tempo. Queria cuidar dele, botar sua comida. Numa noite de frio, eu fico pensando se ele tem com que se cobrir, e peço a Deus para ter alguém perto dele, uma pessoa boa para ajudá-lo?, diz ela.