Cidades
FAM�LIAS PERMANECEM NAS �REAS DE RISCO
No município de Santana do Mundaú, um dos mais devastados pela enchente, nenhuma casa foi entregue ainda, mas desde o início ninguém quis morar em barracas. A obra de construção do Conjunto Residencial Uchoa, com 1.261 unidades habitacionais, está com um percentual de 72,7% concluído, segundo informações da coordenação de recons-trução. O ritmo é bem diferente da urgência de quem perdeu tudo. E, enquanto esperam, os moradores desabrigados vão reconstruindo suas casas no antigo terreno, repovoando a área de risco na beira do rio. ?Esse monitoramento deve ser feito pelas prefeituras. Essas casas que foram reconstruídas, na minha avaliação, devem ser demolidas quando as outras forem entregues, mas essa é uma competência do município?, diz Thomaz Nonô. A funcionária pública Maria Aparecida Batista está morando, com a numerosa família, no mesmo lugar de onde foi expulsa pela fúria do Rio Mundaú, mas tem consciência de que o investimento da reconstrução um dia vai virar pó. De tanto desgosto, comprou poucos móveis: camas, cadeiras, uma mesa. ?Só o suficiente para ir sobrevivendo. Foram 15 anos de trabalho que desceram por água abaixo, não quero nada aqui para a água levar de novo. Só voltei para este lugar porque as casas estão demorando muito e não dava para pagar aluguel por tanto tempo. Mas, quando sair daqui e souber que vão derrubar esta casa, quero estar aqui para ajudar?, diz ela.